Nampula (O Destaque) – Uma luz no fundo túnel, pode assistir-se na província de Nampula. A Administração Nacional de Estradas (ANE), através do seu delegado Mateus Espírito Santo, lançou uma promessa audaciosa: a reposição da transitabilidade na crucial ponte sobre o rio Monapo, na vila sede de Namialo, distrito de Meconta, até ao próximo mês de Julho.
Uma declaração que ecoa pelos vales e montanhas, tentando abafar o clamor da destruição deixada pela implacável tempestade tropical JUDE, em Março último.
A garantia que poderá resolver os problemas da N1, que, por sinal, é a espinha dorsal que conecta Nampula ao resto do país. Espírito Santo, com um ar de quem carrega o peso do mundo nos ombros, revelou que as obras de construção recomeçaram com vigor na passada segunda-feira, dia 9. Uma semana de atraso que, segundo ele, foi justificada por uma intervenção cirúrgica do Ministério das Finanças, que suspendeu as actividades para permitir que a Unidade Funcional de Supervisão das Aquisições (UFSA) “peneirasse” os procedimentos de adjudicação, garantindo a “conformidade” com a legislação.
“Em relação à ponte sobre o rio Monapo, tinha sido suspensa a adjudicação, mas já foi levantada, as obras foram retomadas e pelo curso da mesma, estamos a crer que até próximo mês teremos a transitabilidade reposta,” afirmou Espírito Santo, tentando incutir confiança onde reinava a desconfiança.
Enquanto a ponte do Monapo é ressuscitada das cinzas, um cenário dantesco se desenrola noutras paragens da província.
O delegado da ANE não escondeu a verdade nua e crua: o sector continua a braços com o desafio hercúleo de repor a transitabilidade em estradas que permanecem intransitáveis, autênticas cicatrizes da fúria do Jude.
“Neste momento estamos a trabalhar sobre as duas pontes que foram arrastadas, porque essas infraestruturas são vitais que sejam repostas,” admitiu Espírito Santo.
“Felizmente o nível das águas baixou ligeiramente, o que temos que fazer agora é arranjar alternativas, mas sob ponto de vista de período não posso avançar, esforços estão a ser empreendidos no sentido de repor a transitabilidade o mais rápido possível.” Esforços, alternativas, mas sem datas concretas.
Uma melodia que se tornou familiar aos ouvidos dos moçambicanos, um canto de sereia que promete muito, mas entrega pouco.
Apesar da pompa e circunstância em torno da ponte do Monapo, a realidade é um quadro de contrastes chocantes. Espírito Santo tenta pintar um cenário de “transitabilidade reposta” na maior parte das vias da província, mas a sua própria admissão trai a precariedade da situação.
