Maputo (O Destaque) -O Governo decidiu apertar o cerco ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas com uma nova medida que proíbe totalmente a sua venda aos domingos, além de restringir o comércio entre as 20h00 e as 09h00 durante o resto da semana. A decisão, anunciada esta sexta-feira, pretende travar o que o Executivo classifica como “impactos sociais profundos”, sobretudo entre jovens e comunidades vulneráveis.
Igualmente, Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo, foi claro, sobre tempos do “xivotchongo” descontrolado estão contados. Admite, no entanto, que houve falhas nos processos de licenciamento de algumas fábricas, que agora terão de se ajustar à nova realidade. A produção de bebidas fortes será restringida, dando lugar a alternativas de baixo teor alcoólico feitas à base de cereais ou frutas.

Em Cuamba, onde a bebida caseira tem forte presença social, a população reagiu com desconfiança. Carlitos Anastácio, consumidor habitual, lembrou episódios passados: “Isto vai gerar mais corrupção. Na COVID-19 comprava-se e consumia-se na casa dos vendedores. Vai ser igual.”
A questão do controlo fronteiriço também preocupa. “O xivotchongo do Malawi custa só 45 meticais. Entra fácil, vende-se em qualquer canto. Sem fiscalização séria, esta lei não tem força nenhuma”, alerta.
Nas redes sociais, a medida causou divisão. Enquanto alguns internautas elogiam o esforço do Estado em proteger a juventude, outros criticam o que consideram uma abordagem repressiva. “Faltam campanhas de sensibilização, ocupação juvenil e oportunidades. Só proibir não resolve”, lê-se num comentário popular no Facebook.
Para já, o que é certo é que os domingos em Cuamba e noutras zonas do país ganharam uma nova regra. Se será respeitada ou não, dependerá menos da caneta do legislador e mais da fiscalização no terreno. E, claro, da vontade da sociedade de mudar.
