Maputo (O Destaque) –A história de Dona Laurinda Tembe é feita de partidas sem regresso e silêncios que duram décadas. Aos 67 anos, natural da província de Maputo, vive hoje sozinha em Mandimba, Niassa, onde foi parar nos tempos da Operação Produção, uma das políticas mais controversas da década de 1980, que deslocou milhares de moçambicanos para o interior do país.
Laurinda Tembe do que encontra na lixeira, com saúde frágil e sem apoio familiar, as suas palavras doem mais do que o frio da solidão:
“Já não tenho forças, passo mal, não me alimento bem”, desabafa, com lágrimas nos olhos.
A sua vida é um retrato doloroso do que significou essa operação para muitas famílias. Nascida em 1956, em Salamanca, Matutuíne, Laurinda foi criada pela avó após a partida da mãe e o abandono do pai. Mais tarde, foi novamente separada desta vez dos próprios filhos.
“Só quero reencontrar os meus filhos. Saber se estão vivos, se se lembram de mim. Já sofri muito. Não quero morrer sozinha aqui em Niassa.”
Segundo apurou O Destaque, Dona Laurinda procurada pela família
Todos ficaram em Maputo, provavelmente na zona de Katembe, onde ela viveu antes da deslocação.
Ela também menciona parentes como Otilia Manuel Sitoe, Antoninho Manuel Sitoe e Simão Manuel Sitoe
Operação Produção não levou apenas pessoas, levou histórias, laços e pertencimento. Trazer Laurinda Tembe volta à sua família é, também, reconciliar Moçambique com uma parte da sua memória.
