Maputo (O Destaque) –Uma reunião crucial entre uma delegação de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o comando militar que lidera a transição na Guiné-Bissau iniciou-se esta segunda-feira, pouco antes do meio-dia, nas instalações do governo em Bissau. O encontro, que acontece sem a presença da imprensa, tem como objectivo principal abordar a crise política que persiste no país.
A delegação regional é chefiada pelo Presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio, e inclui o Presidente da Comissão da CEDEAO, Alieu Touray, bem como o Representante Especial das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel. Nota-se, porém, a ausência do Presidente do Senegal, Macky Sall.
Uma ausência que gerou particular atenção foi a do Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves. Horas antes do início do encontro, Neves anunciou publicamente, numa entrevista à Rádio de Cabo Verde, a sua decisão de se afastar da comissão de mediação do conflito guineense. O chefe de Estado cabo-verdiano justificou que a medida visa “preservar a coerência e a eficácia do processo de mediação regional”.
Neves rejeitou que a sua saída esteja relacionada com declarações recentes do antigo Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que descreveu a situação na Guiné-Bissau como “teatral”. Apesar do afastamento desta missão específica, o presidente cabo-verdiano confirmou a sua participação na próxima cimeira de chéfes de Estado da CEDEAO, marcada para o dia 14 deste mês, onde a situação do país-irmão será novamente analisada.
Do lado guineense, a reunião é liderada pelo Presidente do Conselho Nacional de Transição, Horta Nta, que representa o comando militar no poder. O diálogo ocorre num contexto de tensão e incerteza política, com a comunidade internacional a pressionar por um rápido retorno à ordem constitucional e à realização de eleições.
A reunião decorre à porta fechada, seguindo um formato restrito que limita o fluxo de informações imediatas sobre os detalhes das negociações. Espera-se que, após o encerramento dos trabalhos, seja divulgado um comunicado oficial com as conclusões e eventuais decisões tomadas pela missão da CEDEAO.
A crise na Guiné-Bissau continua, assim, no centro da agenda regional, testando os mecanismos de resolução de conflitos da CEDEAO num dos seus Estados-membros mais instáveis.
