Inhassoro (O Destaque) -Perante o seu homólogo e vizinho sul-africano Cyril Ramaphosa e uma plateia de altas patentes, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo inaugurou esta Quarta-feira, em Inhassoro, província de Inhambane, o que classificou como um “marco histórico” para o desenvolvimento nacional: a Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos. Num discurso de forte carga simbólica e estratégica, o Chefe de Estado delineou a visão de transformar o gás natural em alicerce da soberania económica do país.
A cerimónia, que contou com a presença de destaque do Presidente Ramaphosa, saudado como “irmão mais velho” e peça fundamental numa “história compartilhada”, marcou a entrada em funcionamento da primeira Fábrica de Processamento Integrado de Gás (IPF) de Moçambique. Chapo não poupou adjectivos para descrever o momento: “uma viragem estratégica, o símbolo de um País que deixou de observar os seus recursos a partir de fora e passou a transformá-los dentro de portas”.
O empreendimento, inserido no Contrato de Partilha de Produção com a sul-africana SASOL e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), representa um salto industrial sem precedentes. Não se trata apenas de extrair, mas de processar, valorizar e distribuir dentro do território nacional.
O complexo de Inhassoro é a peça central de um ecossistema energético mais amplo e inclui: A Unidade de Produção de GPL liquefeito, com capacidade para 30 mil toneladas por ano;
A produção de cerca de 4 mil barris/dia de petróleo leve;
A Central Térmica de Temane de 450 Megawatts, que se encontra ainda em construção.
“Com este complexo integrado, Moçambique amplia a sua capacidade de fornecer gás, energia e derivados a economias vizinhas”, afirmou o Presidente, sublinhando o novo posicionamento do país como um hub energético para a África Austral.
Impacto Imediato: Empregos, Poupança e Comunidades
Para além da macro estratégia, Chapo enumerou benefícios concretos e imediatos do projecto, apresentando-o como um motor de desenvolvimento humano e local:
Geração de Emprego: Foram criados 1.685 empregos nacionais durante a fase de construção e estão garantidos 120 empregos directos na operação, com mais de 80% de contratação local;
O país reduzirá em cerca de 70% as suas importações de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL).
“Sempre importamos 100%… Com esta inauguração, hoje, cerca de 75% já não precisamos importar. Poupamos dinheiro, geramos dinheiro”, declarou.
Benefícios Sociais Directos:
O projecto deixou como legado uma nova vila de reassentamento com 45 casas e a requalificação completa da Escola Primária Joaquim Marra.
“Estes investimentos são prova de que cada projecto estratégico deve deixar benefícios tangíveis para as comunidades locais. Isto é que é desenvolvimento real, um desenvolvimento com rosto humano”, afirmou o chefe de estado
Uma Visão para os Próximos 50 Anos:
Da Matéria-Prima ao Valor Acrescentado
O discurso do Presidente Chapo foi, acima de tudo, uma declaração de intenções sobre o rumo económico que Moçambique pretende seguir, especialmente no ano em que celebra 50 anos de Independência Nacional.
A mensagem está encerrando o ciclo de exportação de matérias-primas brutas.
“Por muitos anos, Moçambique exportou matérias-primas e importou produtos acabados mais caros, perdendo valor, emprego para a sua população e receitas para o seu Estado”, recordou. A nova fase, baptizada como a da “Independência Económica”, passa por:
Transformar localmente os recursos naturais.
Desenvolver indústrias petroquímicas, de fertilizantes e de combustíveis.
Garantir que “todos os moçambicanos, em qualquer ponto do País, possam beneficiar plenamente do Gás de Petróleo Liquefeito” produzido internamente.
“Estamos a transformar o gás em desenvolvimento. Gás em indústria. Gás em empregos. Gás em dignidade para o povo moçambicano”, proclamou. “É isto que significa construir os alicerces da Independência Económica”.
Dirigindo-se no final às populações de Inhassoro, Govuro, Vilankulo e Massinga, o Presidente garantiu: “Este projecto é vosso”. E perante os parceiros sul-africanos e a SASOL, reafirmou: “A parceria só é válida quando serve o interesse nacional. A produção só é relevante quando transforma a vida do povo”. Com a obra declarada oficialmente inaugurada, Moçambique dá um passo decisivo na longa caminhada para tornar a sua independência política numa realidade económica transformadora.
