PODEMOS acusado de não pagar 15 mil meticais por cobertura e aluguel de câmeras

Maputo (O Destaque) –Uma situação de litígio financeiro envolve o partido PODEMOS, actualmente a segunda maior força política nacional, após um jornalista freelancer denunciar que não recebeu integralmente o valor acordado pela cobertura de uma Reunião Nacional de Formação de Quadros realizada na cidade da Beira. Segundo o profissional, que falou sob anonimato, além da cobertura jornalística, também foi responsável pela cedência de equipamento para transmissões em directo. Ele afirma que o problema se arrasta há meses, com sucessivas promessas de pagamento ainda não cumpridas.

De acordo com o jornalista, o convite partiu de Duclésio Chico, Porta-Voz do partido, e o acordo previa o pagamento de 30 mil meticais, destinados à viagem e à realização dos trabalhos. No entanto, o montante não foi disponibilizado antes da deslocação, como teria sido combinado.

Durante o evento, ele e outros membros da equipa aguardaram pelo pagamento, mas receberam apenas garantias que não se materializaram. “Chegou o dia de partida, todos os colegas ficamos reféns, porque não tínhamos sequer o valor para cobrir as despesas jornalísticas. Tivemos que permanecer lá, e só depois de muita pressão é que nos entregaram parte do valor, com promessa de liquidar o restante em Maputo…”, relatou.

Já em Maputo, o jornalista recebeu parte do valor acordado, que, segundo ele, corresponde apenas ao pagamento pela cobertura jornalística. A quantia referente às transmissões em directo e ao aluguer dos equipamentos, também incluída no acordo inicial, não terá sido liquidada.

Após várias tentativas ao longo de meses e contactos com elementos do Departamento de Comunicação, entre eles Stélio, o profissional afirma ter recebido apenas 15 mil meticais, ficando pendente o restante valor, igualmente de 15 mil meticais. De acordo com o seu relato, Stélio deixou de atender chamadas e responder a mensagens há cerca de dois meses.

O caso foi posteriormente apresentado ao Presidente e ao Secretário-Geral do partido, que manifestaram intenção de intervir. No entanto, o jornalista afirma que o Presidente acabou por se afastar do assunto, alegando que o valor em causa já teria sido transferido ao Departamento de Comunicação, uma justificação que, segundo ele, não comprova que o pagamento tenha sido feito ao prestador do serviço.

As versões do partido

O Destaque entrou em contacto com os membros do PODEMOS referenciados na denúncia e obteve respostas distintas:

Stélio (Secretaria Nacional de Comunicação): Questionado sobre a dívida, limitou-se a afirmar que não tinha comentários a fazer e que a contratação não passou por ele. 

“Não tenho nada a dizer. Se foi contratado, não foi por mim. Vou falar com a pessoa responsável.”

Duclésio Chico (Porta-Voz e alegado responsável pelo convite): Confirmou o convite e o acordo com o jornalista, mas apresentou uma versão diferente em relação ao serviço prestado e aos pagamentos feitos.

Por acaso, sim. Fui convidado. Nós alugámos as duas câmaras dele, e, no total, são 30 mil meticais. Isso ele fez. A parte jornalística não estava incluída nesse valor. Mesmo não estando, foi contemplada, e pagámos, declarou Duclésio Chico, Porta-Voz do partido, em contacto telefónico com O Destaque.

Duclésio admitiu, no entanto, que houve divergências no acerto de contas referentes ao aluguer das câmaras e garantiu que o caso está em reavaliação:

o acordo era para aluguer de câmaras. Ele foi pela responsabilidade das câmaras, mas acabámos por assumir que ele é jornalista. A parte das câmaras teve contas que não estavam de acordo. Está a ser revista para pagar dentro de dias., reforçou.

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