Maputo (O Destaque) –O país despediu-se, este sábado, com honras de Estado, do Herói Nacional e membro fundador da FRELIMO, Feliciano Salomão Gundana, falecido no passado dia 9 de Dezembro, vítima de doença. A última homenagem de corpo presente realizou-se na Praça da Independência, em Maputo, perante antigos Presidentes da República, membros do Governo, da FRELIMO, familiares e uma multidão de cidadãos.
Num elogio fúnebre proferido em nome da Nação, foi traçada a trajectória do histórico combatente, nascido a 15 de Janeiro de 1940, em Inharingue, Machanga, província de Sofala. Destacou-se a sua coragem precoce contra o regime colonial, que o levou, juntamente com Filipe Samuel Magaia, a fundar a UNENAMO em 1960 e, posteriormente, a integrar o grupo fundador da FRELIMO a 25 de Junho de 1962, em Dar es Salaam.
De guerrilheiro a estadista
A sua formação militar iniciou-se na Argélia, em 1963, tendo depois aperfeiçoado os seus conhecimentos na República Popular da China. Mais tarde, entre 1967 e 1974, concluiu uma licenciatura em Electrotecnia na Suíça, preparando-se para as tarefas de reconstrução nacional.
Após a Independência, Gundana assumiu missões estruturantes, com destaque para a liderança da histórica marcha para Nangade, em Cabo Delgado, símbolo da afirmação da soberania moçambicana. A sua carreira política foi marcada por funções de elevada responsabilidade no Estado e no Partido.
Na FRELIMO, foi membro do Bureau Político, da Comissão Política e o primeiro Secretário-Geral do partido. Exerceu também as funções de Primeiro-Secretário e Governador nas províncias de Inhambane, Nampula e Zambézia, onde ficou conhecido pela sua proximidade com as comunidades e pela eficácia administrativa, sendo em determinado momento considerado “o melhor governador do País”.
No aparelho de Estado, foi Chefe dos Serviços de Inteligência Militar, Ministro para os Assuntos dos Antigos Combatentes (2005-2009), Ministro na Presidência e Deputado da Assembleia da República.
Legado de integridade e serviço
O elogio fúnebre descreveu Gundana como um homem “calmo e sereno”, de “pouca fala”, mas de “firmes convicções” e “notável verticalidade”. Foi exaltado o seu carácter íntegro, a sua disciplina, humildade e o profundo amor ao povo moçambicano, valores que orientaram a sua vida pública e privada.
Em reconhecimento à sua dedicação, foi agraciado com as mais altas honras nacionais: a Ordem Socialista Trabalhista e o título de Herói Nacional, conferido por Decreto Presidencial em 2015. Em 2024, a Universidade Zambeze atribuiu-lhe o título de Doutor Honoris Causa em Liberdade, Democracia e Desenvolvimento Humano. O seu nome perpetua-se numa avenida da cidade da Beira e numa escola secundária em Chiloane, sua terra natal.
A promessa de continuidade
Foi anunciado, durante a cerimónia, o lançamento iminente de um livro sobre a sua vida e obra, uma contribuição para a historiografia nacional. A Nação comprometeu-se a honrar a sua memória preservando os valores que defendeu: “a disciplina, a honestidade, o patriotismo, a humildade, o trabalho, a unidade nacional e a coragem revolucionária”.
Dirigindo-se directamente ao herói falecido, o orador afirmou: “Devolveremos o teu corpo à terra, mas o legado da sua vida e obra continuará a servir de lanterna que ilumina o caminho que ainda temos por percorrer”.
À família enlutada foi dirigida uma mensagem de profundo pesar e solidariedade nacional. Feliciano Gundana deixa um legado como “construtor de pontes, guardião da unidade nacional e defensor inabalável da soberania”.
