Maputo (O Destaque) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vive um momento delicado e decisivo. Numa cimeira extraordinária virtual realizada esta segunda-feira (16), os chefes de Estado e de Governo dos países-membros aprovaram por consenso a suspensão da Guiné-Bissau das actividades da organização, em resposta ao golpe de Estado ocorrido a 26 de novembro.
Moçambique, representado pelo Presidente Daniel Chapo, defendeu uma posição clara a favor da legalidade constitucional e do respeito pelo Estado de Direito. “A nossa comunidade não pode ser indiferente a interrupções da ordem democrática. A solidariedade com o povo guineense exige também responsabilidade”, afirmou o Chefe de Estado.
A decisão contou com o apoio unânime dos membros da CPLP, incluindo o endosso à presidência interina de Timor-Leste, país que se propôs a liderar o processo diplomático de acompanhamento da situação política em Bissau.
Chapo destacou que a Guiné-Bissau, país fundador da CPLP e anfitrião da última cimeira, “merece regressar à normalidade por meios pacíficos e com apoio multilateral”. Reiterou também o compromisso de Moçambique em colaborar com todas as partes para restaurar o diálogo e a estabilidade.
A CPLP exigiu a libertação de líderes políticos detidos e o respeito pelas instituições eleitas, alinhando-se com posições já tomadas pela CEDEAO e pela União Africana. A organização reafirmou o seu papel como plataforma de concertação política, e não apenas cultural ou linguística.
