Etiópia e Sudão do Sul vieram a Moçambique aprender com mais detalhes sobre gestão de desastres

Maputo (O Destaque) –Num contexto global marcado por desastres naturais cada vez mais frequentes e intensos, Moçambique volta a assumir protagonismo na região. Esta semana, o país recebeu delegações da Etiópia e do Sudão do Sul para um intercâmbio técnico centrado na monitoria e resposta a eventos climatológicos extremos. O Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), em Maputo, acolheu o encontro, tendo como principal referência a moderna Sala de Situação, recentemente inaugurada, que servirá de modelo para estruturas semelhantes no Corno de África.

A Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, saudou os participantes e reforçou o espírito de cooperação e aprendizagem mútua: “Estou aqui com vocês em troca de experiências, em um momento em que as catástrofes estão crescendo e é cada vez mais difícil, ou desafiante, ter diferentes aspectos de cobertura”, afirmou.

Durante a visita, um dos momentos-chave foi a apresentação técnica do funcionamento da Sala de Situação. Mais do que uma infraestrutura, trata-se de um ponto de articulação regional, integrando Moçambique às redes da SADC e da União Africana.

Luísa Meque explicou que a criação deste espaço foi possível graças ao envolvimento directo de parceiros estratégicos como o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), a Fundação CIMA e a Protecção Civil Italiana. “A sua visita ocorre em uma altura em que o nosso país está em plena época chuvosa e a operacionalizar o seu plano de contingência”, referiu. Acrescentou ainda que, depois de enfrentar três ciclones intensos durante a época 2024–2025, que afectaram 2,4 milhões de pessoas, Moçambique tem agora uma experiência concreta e valiosa a partilhar com os países irmãos.

Para Ana Cristina, Directora Nacional do CENOE, a escolha de Moçambique pela União Africana para acolher este intercâmbio técnico representa um verdadeiro “sentimento de honra e privilégio”. Segundo explicou, o ponto forte do modelo moçambicano reside na sua capacidade de integração entre diferentes áreas de actuação.

“Esta sala de situações tem a capacidade de fazer a monitoria, detectar os fenômenos, avaliar, fazer análise de risco e fazer a difusão de avisos em tempo útil para cheias, ciclones ou seca”, disse Ana Cristina, sublinhando ainda que o sistema está em expansão no país, com a cidade da Beira a acolher a primeira Sala de Situação provincial, ligada directamente ao centro nacional e à rede regional.

A força do CENOE, segundo a directora, está na coordenação multissectorial com instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), bem como os Ministérios da Agricultura e da Saúde.

O ganho é que nós, em tempo útil, detectamos e informamos as pessoas que estejam no raio da ameaça”, acrescentou. Essa comunicação é reforçada por parcerias com o Instituto de Comunicação Social (ICS) e com operadoras de telefonia móvel, por via da INCM, garantindo que as mensagens de alerta cheguem de forma eficaz às comunidades em risco.

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