Maputo (O Destaque) –Depois de mais de uma semana de incerteza diplomática, o governo da Nigéria confirmou, esta quinta-feira (18), a libertação de 11 funcionários da sua Força Aérea, que estavam detidos no Burkina Faso desde 8 de dezembro, após uma aterragem de emergência naquele país da África Ocidental.
A confirmação foi feita pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, que explicou que a libertação ocorreu na quarta-feira (17), na sequência de reuniões diplomáticas entre os dois países. A delegação nigeriana foi liderada pelo próprio ministro, Yusuf Tuggar, e obteve o compromisso da administração militar de Burkina Faso, chefiada pelo capitão Ibrahim Traoré.
A tripulação libertada era composta por dois comissários de bordo e nove passageiros. Segundo as autoridades nigerianas, a aeronave seguia para Portugal para uma manutenção programada, quando foi forçada a aterrar no oeste de Burkina Faso, cumprindo todos os procedimentos internacionais e de segurança.
Contudo, a aterragem inesperada levou a Aliança dos Estados do Sahel, composta por Burkina Faso, Mali e Níger, a colocar as suas defesas em alerta. Uma declaração do general Assimi Goita, líder da administração militar do Mali, justificou a reação como uma medida preventiva para garantir a soberania do espaço aéreo da federação recém-formada.
Apesar da tensão, a situação foi resolvida por vias diplomáticas. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano, Kimiebi Ebienfa, os técnicos libertados seguem agora para Portugal, onde a aeronave será submetida à manutenção prevista.
O incidente ocorre num contexto político delicado. Burkina Faso, Mali e Níger, que saíram da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), têm enfrentado críticas por práticas antidemocráticas após golpes militares. A Nigéria, por sua vez, continua a ser membro da CEDEAO e tem apelado ao diálogo regional.
