Alerta máximo em Ancuabe: administrador adverte: “quem espalhar boatos sobre a cólera será tratado como terrorista”

Cabo Delgado (O Destaque) — O administrador do distrito de Ancuabe, Belmiro Casimiro, lançou um aviso severo que não deixa margem para ambiguidades. Num discurso incisivo proferido esta terça-feira, equiparou os autores de desinformação sobre a cólera a terroristas, prometendo que serão tratados com o devido rigor pelas autoridades de defesa e segurança.

A declaração surge na sequência de relatos sobre agentes de saúde, líderes comunitários e figuras religiosas que têm sido alvo de perseguições e insultos nas comunidades, episódios alimentados por boatos infundados sobre a propagação da doença. “Estamos a falar daqueles que estão a desinformar o povo, a perseguir os nossos agentes de saúde, os nossos líderes… Vamos tratá-los como terroristas; não os trataremos meramente como desinformadores”, afirmou Casimiro, num tom que evidenciou o esgotamento da paciência das autoridades locais.

O governante esclareceu um ponto fundamental: até ao momento, o distrito de Ancuabe não registou qualquer caso confirmado de cólera. Existem, todavia, registos de doenças diarreicas comuns nesta época chuvosa, as quais estão a merecer o devido acompanhamento pelas equipas sanitárias.

O cerne do problema, sublinhou o administrador, reside no pânico artificial fomentado por indivíduos que pretendem semear o caos. “Deixem os nossos profissionais de saúde trabalhar em paz, deixem os nossos líderes comunitários e religiosos exercerem as suas funções, eles estão aqui para servir o povo e não para serem vítimas de calúnias”, apelou Casimiro, dirigindo-se à população. Enquanto Ancuabe combate a vaga de notícias falsas (fake news), o cenário epidemiológico na província de Cabo Delgado é preocupante noutras regiões. Dados oficiais actualizados até ao dia 3 de Fevereiro indicam que os distritos de Metuge, Pemba, Mecúfi e Montepuez enfrentam surtos activos, somando um cumulativo de 661 casos e 8 óbitos desde Novembro de 2025.

Com o pico da época chuvosa, o risco de eclosão de doenças de origem hídrica aumenta exponencialmente. Por conseguinte, as autoridades apelam à população para que confie exclusivamente nas informações oficiais do Ministério da Saúde e das lideranças locais, colaborando com os profissionais que actuam na linha da frente.

A mensagem deixada em Ancuabe é inequívoca: qualquer indivíduo surpreendido a espalhar alarmismo falso sobre a saúde pública responderá perante a justiça com toda a severidade. É premente que se abandone a especulação e se priorize a informação de fontes fidedignas, sob pena de o “remédio” contra a desinformação ser ainda mais amargo para os transgressores.

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