O banquete estranho: INATRO compra pães de 150 mil meticais

Maputo (O Destaque) ​— É quase que insólito. Talvez, curioso. É que nos corredores refrigerados do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) vai uma transacção, no mínimo, estranha. Um documento oficial consultado pelo Jornal Destaque, datado de 23 de Fevereiro de 2026, revela que a burocracia estatal parece ter encontrado uma via que transforma o alimento mais básico da mesa do povo, numa luxuosa despesa de 158.400,00 MT. Sim, o INATRO vai comprar pães de perto de 160 mil meticais.

À primeira vista, parece apenas uma folha de papel com carimbos e códigos frios, mas entre as linhas do documento da adjudicação, cuja empresa adjudicada é a VIPALO, LDA, esconde-se um mistério que nem a farinha mais refinada conseguiria explicar. O INATRO, que frequentemente deixa o cidadão a pão e água à espera de uma carta de condução que nunca chega, decidiu agora investir uma pequena fortuna em pães cuja utilidade, destino e quantidade permanecem mergulhados em segredo.

Este não é um episódio isolado, mas, talvez, um novo capítulo de uma antologia de má gestão que já se tornou um clássico do erário público. Para quem observa de fora, a modalidade de “Pequena Dimensão” parece ser o esconderijo perfeito para o diabo que mora nos detalhes. É a arte de surripiar em migalhas para não atrair os holofotes das grandes auditorias, uma estratégia meticulosa de drenagem de fundos através de rubricas que, de tão banais, costumam passar abaixo do radar.

Recuando no tempo, os fantasmas dos escândalos das cartas de condução e dos pagamentos por serviços fantasma ainda assombram os guichés da instituição. É o eterno paradoxo do INATRO: falta o plástico para o documento, falta o sistema para o utente, mas nunca falta a “massa” financeira para adjudicações que pouco ou nada dizem respeito à segurança rodoviária. Ao gastar quase 160 mil meticais em pão, a instituição desenha um cenário onde o banquete da elite administrativa é servido enquanto o povo espera, pacientemente, numa fila que não anda.

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