Maputo (O Destaque) — Na semana passada finda, O Destaque denunciou uma série de despedimentos sem aviso prévio na empresa Contact, subcontratada da Fundação Ariel. O caso gerou inquietação entre os trabalhadores e levantou dúvidas sobre o cumprimento das obrigações laborais por parte da entidade empregadora.
Na segunda-feira (13), numa nova reunião convocada pela empresa, os funcionários foram chamados a ouvir um posicionamento oficial. Segundo relatos recolhidos no local, a direcção informou que irá proceder ao pagamento das férias em atraso ainda nos próximos dias. No entanto, os salários correspondentes aos meses de Abril e Maio não têm, para já, data concreta de liquidação.
A comunicação não dissipou as preocupações. Pelo contrário, muitos trabalhadores interpretam a medida como insuficiente face às perdas acumuladas. “Pagam uma parte e deixam outra. Isso não resolve o problema, apenas adia”, referiu um dos presentes, que preferiu não se identificar.
Outro ponto que gerou desconforto foi a ausência de esclarecimentos sobre eventuais indemnizações decorrentes dos despedimentos. A empresa terá indicado que, nas condições actuais, não prevê qualquer compensação adicional, uma posição que os trabalhadores consideram pouco transparente.
A reunião terminou sem consenso e com um sentimento generalizado de incerteza. Para vários funcionários, a promessa de pagamento parcial surge como uma resposta limitada a uma situação que consideram mais profunda, daí a metáfora que já circula entre eles: uma tentativa de “curar um cancro com paracetamol”.
Até ao fecho desta edição, nem a Contact nem a Fundação Ariel tinham emitido um comunicado público detalhado sobre o assunto. Entretanto, os trabalhadores dizem que continuam a aguardar soluções concretas, enquanto ponderam os próximos passos.
