Maputo (O Destaque) – A reestruturação da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) começa a produzir sinais de recuperação, mas ainda está longe de resolver todos os problemas da companhia. Esta é a leitura do analista Rogério Uthui, que atribui parte da melhoria à entrada de novas empresas públicas na estrutura accionista, à injecção de capital e ao reforço da gestão financeira e operacional.
Em entrevista ao Jornal O Destaque, Uthui considerou que a actual estratégia do Governo representa uma mudança importante para uma companhia que, durante anos, enfrentou dificuldades financeiras e operacionais. Para o analista, a opção de envolver empresas públicas com maior dinâmica empresarial pode ajudar a criar uma nova cultura de gestão na LAM.
Segundo Uthui, a entrada de capital permitiu à companhia recuperar alguns activos, adquirir novas aeronaves e criar condições para gerar receitas capazes de amortizar parte das suas dívidas.
“As Linhas Aéreas precisavam de uma injecção de capital”, afirmou, defendendo que colocar dinheiro na companhia sem alterar a estrutura e os métodos de gestão poderia apenas prolongar os problemas do passado.
O analista destacou ainda o papel da nova equipa de gestão e do consultor de aviação contratado para acompanhar a recuperação da empresa. Na sua avaliação, a combinação entre capital, conhecimento técnico e maior controlo financeiro já começa a produzir resultados.
Uthui foi particularmente crítico em relação a práticas de gestão que, segundo relatou, terão prejudicado financeiramente a companhia no passado. Referiu alegados desvios de receitas, problemas na utilização de pagamentos electrónicos e situações de sobrefacturação nas compras, práticas que descreveu como “boladas”.
“A entrada do novo Conselho de Administração, mas, acima de tudo, do novo consultor e da sua equipa técnica, fez com que muitas vezes as boladas caíssem. E, ao cair as boladas, o lucro começa a aparecer”, afirmou.
Apesar dos sinais positivos, Uthui considera que a LAM ainda enfrenta um passivo significativo e precisa de manter o processo de transformação para consolidar a recuperação.
Sobre a mudança da imagem da companhia, incluindo a alteração do nome e do visual dos aviões, o analista entende que a medida não resolve, por si só, os problemas financeiros, mas pode ter importância do ponto de vista psicológico e empresarial.
Para Uthui, uma companhia que passou por sucessivas dificuldades precisava também de transmitir ao mercado e aos seus clientes a ideia de que está a iniciar uma nova fase.
“Não é suficiente”, disse, referindo-se à mudança de imagem, mas explicou que o novo branding pode funcionar como símbolo de uma transformação mais profunda na empresa.
O analista defende, por isso, que o próximo desafio passa por garantir que as mudanças na gestão, o reforço da frota e o controlo financeiro sejam mantidos ao longo do tempo. Para ele, a recuperação da LAM não dependerá apenas de novas aeronaves ou de uma nova imagem, mas sobretudo da capacidade de manter uma gestão eficiente, transparente e orientada para resultados.
