Alexandre Chiure defende aposta em tecnologia de guerra nas forças armadas de defesa nacional

Maputo (O Destaque) – Com a aproximação do Dia das Forças Armadas de Moçambique, assinalado a 25 de Setembro, o analista político Alexandre Chiure defende uma reflexão profunda sobre o modelo de defesa do país, sobretudo perante a evolução tecnológica dos conflitos armados. Em entrevista ao Jornal O Destaque, Chiure considera que a guerra moderna deixou de depender exclusivamente do combate tradicional e passou a privilegiar o uso de drones, sistemas de vigilância e outros equipamentos tecnológicos capazes de localizar alvos e reduzir a exposição de militares no terreno.

Chiure considera que as Forças Armadas enfrentam um atraso neste domínio, apontando diferenças no nível de utilização de tecnologia quando comparadas com as forças ruandesas que actuam em Moçambique. Segundo o analista, enquanto estas recorrem a meios tecnológicos para operações de reconhecimento e localização de alvos, Moçambique ainda dependerá, em determinadas situações, de efectivos enviados fisicamente para recolher informações no terreno.

“Temos que reflectir profundamente que Forças Armadas é que nós queremos”. Defendeu Alexandre Chiure ao Jornal O Destaque, questionando se o país deve continuar a privilegiar meios de combate tradicionais ou avançar para um investimento mais consistente em equipamentos militares modernos e tecnologia.

O analista entende que a realidade do conflito em Cabo Delgado reforça a necessidade de modernização, uma vez que, segundo afirma, os grupos insurgentes também têm recorrido a equipamentos modernos. Chiure defende, por isso, investimentos que permitam às Forças Armadas aumentar a sua capacidade operacional e responder aos desafios de um cenário de guerra cada vez mais tecnológico.

Na sua perspectiva, a utilização de tecnologia militar pode também contribuir para reduzir a exposição de soldados ao perigo e aumentar a precisão das operações. “Com tecnologia, você não precisa sair daqui de avião para bombardear, por exemplo, uma zona. A partir daqui, eu posso localizar a zona e localizar o alvo”, explicou.

Para Chiure, o desafio passa por abandonar uma visão exclusivamente tradicional da guerra e acompanhar a transformação tecnológica que já caracteriza os conflitos contemporâneos, com recurso crescente a drones, sistemas de localização e outros meios que permitem realizar operações com maior precisão e menor exposição humana.

“Temos que ser ousados e apostar seriamente nas nossas Forças Armadas”, afirma Alexandre Chiure.

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