Augusto Pelembe diz que PR vendeu apenas expectativas ao povo no seu informe

Maputo (O Destaque) –Logo após a apresentação do informe anual sobre o Estado da Nação, proferido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, esta quinta-feira (18), o Destaque ouviu o analista político e membro do MDM, Augusto Pelembe, que partilhou uma leitura crítica do discurso.

Para Pelembe, o Chefe de Estado “vendeu apenas expectativas ao povo”. Embora tenha considerado o discurso “bonito”, defende que ficou aquém das realizações concretas: “Se fores a acompanhar os anteriores chefes de Estado, tudo era bonito. Agora, prometeu na área de segurança, educação… Mas vamos à realização. É aí onde reside o maior problema. Reservem-me ao triunfalismo, mas quero ver. Todos os antigos nos venderam sonhos, mas não fizeram”.

Pelembe também se mostrou desconfortável com as várias referências às manifestações feitas pelo PR, afirmando que essas não devem ser vistas como causa, mas como consequência. “É muito triste, porque as manifestações são consequência de não aceitar os resultados eleitorais. Culpar o fracasso do país nas manifestações não é verdade. A saúde e a educação já estavam mal. Não é bem verdade que as manifestações atrasaram o país”.

Ainda assim, reconheceu que os protestos tiveram impacto: “Atrasaram o desenvolvimento socioeconómico, mas não é tudo. As manifestações são consequências de eleições não livres”.

Sobre os dados apresentados pelo Presidente em relação à redução da pobreza, de 70% em 1975 para 40% em 2025,  Pelembe foi directo: “Isso não é verdade. Em linhas gerais, o índice de pobreza atingiu os 77%. Moçambique ficou mais pobre nos últimos anos. Não sei onde o Presidente tirou esses dados. Agora, depois dos 50 anos de independência, é preocupante. Quem nos governa desde então é o mesmo partido, e ele faz parte. Se há culpados, ele também é”.

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