Maputo (O Destaque com Agências Internacionais) — Um avião com 147 passageiros, a maioria portugueses, aterrou esta manhã em Lisboa depois de uma longa viagem de regresso desde zonas afectadas pela crescente tensão no Médio Oriente.
O voo, fretado pelo Estado português, faz parte de uma operação destinada a retirar cidadãos que pretendiam deixar a região devido ao agravamento da guerra.
A aeronave A330 da TAP Air Portugal chegou ao Aeródromo Militar de Lisboa às 10h16, transportando 139 cidadãos portugueses e oito passageiros de outras nacionalidades, incluindo Alemanha, Itália, Estados Unidos, Reino Unido e Peru.
À chegada, o ambiente era de cansaço, mas também de alívio. Muitos passageiros tinham passado mais de 36 horas em deslocações e esperas, depois de saírem de áreas consideradas de risco.
Mariana Carvalho, uma das passageiras, descreveu a viagem como extremamente exigente. Segundo contou aos jornalistas, o percurso começou com uma difícil deslocação terrestre desde o hotel até Omã, seguida por uma espera de cerca de 17 horas no aeroporto antes do embarque.
“Estamos assoberbadas, a viagem foi completamente exaustiva. Há 36 horas que estamos em viagem”, relatou.
Mariana estava no Dubai de férias com a irmã gémea, Cristiana, quando a situação na região começou a deteriorar-se. O conflito intensificou-se após ataques militares realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, o que provocou grande instabilidade e receio entre os estrangeiros que se encontravam na região.
Durante os dias seguintes, ambas acompanharam constantemente as notícias e a evolução da situação, temendo que os voos comerciais fossem cancelados.
“Estávamos sempre agarradas ao telemóvel a ver as notícias e a perceber quando podia sair um avião”, contou Mariana. Inicialmente, as irmãs planeavam permanecer apenas uma semana, mas acabaram por ficar duas devido à incerteza nos transportes.
Apesar de terem conseguido encontrar um voo comercial, decidiram aceitar a operação organizada por Portugal, receando novos cancelamentos caso o conflito continuasse a escalar.
Depois de aterrarem, os passageiros foram encaminhados para uma sala do aeródromo, onde foram recebidos pelo secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, e tiveram acesso a um pequeno lanche enquanto partilhavam as suas experiências com jornalistas.
A operação de repatriamento integra as medidas adotadas pelo Governo português para apoiar cidadãos nacionais que se encontram em regiões afetadas pela instabilidade no Médio Oriente.
