Caos na Guiné-Bissau: Presidente acusado de inventar golpe de estado para não reconhecer derrota eleitoral

Maputo (O Destaque) -Num comunicado feito a partir da parte incerta, o líder da oposição guineense acusou o Presidente da República de encenar uma tentativa de golpe de Estado para justificar a anulação de eleições que teria perdido. O cenário, digno de um filme de ação, envolveu tiros, prisões arbitrárias de altas figuras da oposição e uma fuga milagrosa, tudo perante os olhos pasmos de observadores internacionais.

O incidente eclodiu durante uma reunião de alto nível entre missões internacionais, incluindo a Fundação Janata e a União Africana, chefiada por Filipe Nyusi, numa casa do CDAO. De repente, a praça foi alvejada por rajadas de tiros sem comando aparente, causando o pânico e levando os observadores a refugiarem-se num hotel para compreender a situação.

A crise aprofundou-se quando três carros de polícia chegaram ao local e, num acto de abuso de poder, prenderam figuras proeminentes da oposição, incluindo o carismático líder Domingos Simões Pereira. Perante esta investida, a juventude guineense reagiu com uma fúria inesperada, travando um confronto violento com as forças policiais para impedir a captura dos seus líderes. Num acto heróico, conseguiram que os alvos escapassem, não lhes permitindo ser levados pela “via de quintal”.

A Acusação: Um Golpe Inventado

A narrativa oficial de uma tentativa de golpe de Estado é veementemente rejeitada pela oposição. Em declarações proferidas de um lugar incerto, o lider acusou directamente o Presidente da República. “Nós ganhámos as eleições. Nós ganhámos as eleições. Não há outra coisa que confirme que nós somos vencedores”, afirmou, com convicção.

A acusação é clara: o Chefe de Estado, confrontado com a iminente confirmação da sua derrota eleitoral pelo apuramento dos Comissários Nacionais de Eleições (CNE), terá inventado a tentativa de golpe como um pretexto para manter o poder. “Simplesmente o Presidente da República inventou esse golpe porque percebeu que não tem condições para ganhar as eleições”, denunciou a fonte.

A alegação é sustentada por uma pergunta retórica incisiva: “Se era golpe de Estado, na verdade, por que o pessoal do Mestre Socombo, afecto à Presidência da República, é que assumiram o comando de toda a operação?”.

A Trama: Assaltos aos CNE e Perseguições

A suposta operação para fabricar o golpe incluiu, segundo o relato, tentativas coordenadas de assalto a vários Comissários Nacionais de Eleições por todo o país – em Mansoa, Bafatá, Catió, Bubaque e Biúmo. O objectivo seria impedir a compilação final dos resultados. No entanto, a população terá saído em massa para bloquear estas acções.

A perseguição aos opositores foi descrita como implacável. “Eles inventam coisas, cada dia inventam coisas”, desabafou a fonte, acrescentando que os apoiantes do Presidente, alguns supostamente vestidos com “capucho no roxo”, tentaram capturá-los. A situação culminou com a prisão de Domingos Simões Pereira, que se encontra detido na segunda esquadra da polícia.

Apelo Urgente à Comunidade Internacional

Perante este quadro de instabilidade, a oposição lançou um apelo dramático à comunidade internacional. “A vossa atenção neste momento é fundamental”, suplicou, dirigindo-se especificamente às delegações da União Africana, CEDEAO, CPLP e Nações Unidas presentes no país.

A mensagem é um apelo à acção: “Façam as vossas diligências, assumam a vossa posição”. A oposição pede que estas organizações não se deixem “induzir ao erro com falsos argumentos” e que pressionem pela libertação incondicional de Domingos Simões Pereira e de todos os outros detidos.

Nós nunca tínhamos armas, nunca tínhamos nada, mas nós tínhamos Deus, nós tínhamos verdade, e nós contamos com o resultado eleitoral”. O futuro da democracia na Guiné-Bissau depende agora de uma leitura transparente e pacífica desses mesmos resultados.

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