O Destaque — O Governo mexicano mobilizou um exército de 10.000 soldados para tentar travar uma onda de violência sem precedentes que paralisou o oeste do país. A crise explodiu após a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, o líder do temido Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), considerado um dos criminosos mais perigosos do mundo.
A operação militar que levou à morte de “El Mencho” desencadeou uma vingança sangrenta por parte do cartel. Em pelo menos 20 Estados do México, membros do grupo criminoso espalharam o terror:
Bloqueios de estradas com viaturas incendiadas;
Ataques bombistas contra postos de combustível e estabelecimentos comerciais;
Assaltos a bancos e confrontos directos com as forças de defesa.
Até ao momento, o balanço é trágico: 25 membros da Guarda Nacional perderam a vida, além de dezenas de mortos entre os criminosos. Nas cidades mais afectadas, como Guadalajara, o cenário é de deserto. “Temos medo, toda a sociedade está com medo de sair para trabalhar”, relatou um taxista local.
A grande preocupação internacional recai sobre o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que o México vai co-organizar com os Estados Unidos e o Canadá. Guadalajara, uma das cidades mais fustigadas pela violência actual, é uma das sedes previstas para os jogos.
Fontes ligadas à FIFA confirmaram que o organismo está atento à situação. Segundo os regulamentos, a FIFA tem o poder de cancelar ou mudar o local dos jogos se a segurança não estiver garantida. Analistas acreditam que, embora os cartéis raramente ataquem eventos turísticos (que geram lucro para a região), o clima de instabilidade pode afastar milhares de adeptos que planeavam viajar para o México.
“El Mencho” era visto como o último grande “padrinho” da droga, após as capturas de “El Chapo” Guzmán e “Mayo” Zambada. O governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de 15 milhões de dólares pela sua cabeça. O seu grupo é acusado de inundar o mercado internacional com fentanil e cocaína.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, garantiu que o país está a recuperar a calma, mas a presença massiva de tropas nas ruas indica que a tensão ainda está longe de terminar. Especialistas alertam que, sem um sucessor claro no cartel, podem surgir novas guerras internas pelo poder, prolongando o sofrimento das populações.
