O Destaque — O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, apresentou em Bruxelas uma estratégia ambiciosa destinada a posicionar o país como um dos principais centros energéticos e logísticos da África Austral. A visão foi partilhada durante uma mesa-redonda de alto nível com representantes do Governo belga e empresários daquele país europeu, num encontro voltado para oportunidades de investimento e cooperação económica.
Na ocasião, o Chefe do Estado destacou que Moçambique reúne condições naturais e estratégicas para assumir um papel determinante no fornecimento de energia e na ligação logística da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Entre os pilares dessa estratégia estão os megaprojectos de gás natural, a expansão de energias renováveis e a modernização de infraestruturas portuárias e digitais.
Durante a intervenção, o Presidente abordou também o progresso dos grandes projectos energéticos na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, sublinhando que a melhoria das condições de segurança no norte do país tem permitido retomar investimentos estratégicos. Entre eles está o projecto liderado pela TotalEnergies, cujas actividades haviam sido interrompidas devido à violência armada na região.
O chefe de estado adiantou ainda que o Governo mantém diálogo avançado com a ExxonMobil para a decisão final de investimento de um novo projecto de gás natural liquefeito, que poderá ser anunciada nos próximos meses. Caso avance, o empreendimento deverá reforçar significativamente a capacidade do país no sector energético e ampliar as oportunidades económicas.
Para além do gás natural, Moçambique aposta também nas energias renováveis como elemento-chave da sua estratégia regional. O Presidente destacou o papel da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que já fornece energia a vários países vizinhos, e convidou investidores a participarem no desenvolvimento do projecto Central Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, previsto para gerar cerca de 1.500 megawatts.
Segundo o Chefe do Estado, a exploração inteligente dos recursos energéticos deverá impulsionar a industrialização nacional.
O objectivo passa por utilizar o gás doméstico para produzir fertilizantes, expandir centrais eléctricas e desenvolver novas linhas de transmissão capazes de abastecer tanto o mercado interno como os países da região.
A diversificação da economia também foi destacada durante o encontro. O Presidente chamou a atenção para o potencial agrícola e turístico do país, sublinhando as extensas áreas de terra arável e os mais de 2.700 quilómetros de costa. Referiu ainda o valor estratégico de áreas de conservação como o Parque Nacional da Gorongosa e a Reserva Nacional do Niassa, reconhecidas pela riqueza da sua biodiversidade.
No campo logístico, o Governo pretende reforçar o papel dos corredores de desenvolvimento de Maputo, Beira e Nacala como plataformas estratégicas de ligação entre o litoral moçambicano e o interior do continente africano. A modernização do Porto de Nacala, um dos portos de águas profundas mais importantes da região, foi apresentada como parte fundamental deste plano.
Outro eixo da visão governamental passa pela transformação digital. Acompanhado pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, o Presidente defendeu a criação de centros de dados e a digitalização das infraestruturas logísticas, com o objectivo de transformar Moçambique num centro tecnológico regional.
Ao encerrar o encontro, o Presidente reiterou que o país está aberto a parcerias com o sector privado internacional e convidou empresários belgas a investir em Moçambique, destacando que o país procura acelerar o crescimento económico, gerar emprego e consolidar a sua posição estratégica na África Austral.
