Maputo (O Destaque) –Na data simbólica de 27 de Novembro, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique presidiu à sessão de abertura do 35º Conselho Coordenador do Ministério do Interior (MININT), um encontro que reuniu distintas figuras do sector da segurança, entre elas o antigo Presidente da República e ex-Ministro do Interior, Armando Emílio Guebuza, bem como altas patentes civis e militares.
No seu discurso, o Chefe de Estado sublinhou a importância do MININT como um dos pilares centrais da segurança nacional, da estabilidade social e da confiança pública, classificando-o como um “pilar existencial da República de Moçambique”. Destacou ainda que o encontro constitui uma oportunidade para “avaliar com honestidade, corrigir com rigor e planificar com audácia” as acções do ministério.
Foi a primeira vez que o Presidente da República se reuniu com a liderança máxima de áreas estratégicas do Ministério, responsáveis por funções como: a segurança interna; a identificação e documentação de cidadãos; o controlo migratório e fiscalização de estrangeiros; o apoio a refugiados e requerentes de asilo; e os serviços de protecção civil, incluindo combate a incêndios, socorro e salvamento.
O Presidente expressou especial reconhecimento aos profissionais que operam no terreno, com destaque para os que asseguram a ordem pública e enfrentam o terrorismo na província de Cabo Delgado.

Lema inspira reflexão e acção: segurança rodoviária sob escrutínio
O 35º Conselho Coordenador do Ministério do Interior decorre sob o lema: “Ministério do Interior, avaliando o seu desempenho e aprimorando estratégias face aos desafios da segurança interna, com ênfase para a prevenção e combate à criminalidade e sinistralidade rodoviária”. Um lema considerado pertinente e alinhado com a principal prioridade do Governo: a segurança pública, vista como condição indispensável para a consolidação da independência económica e do desenvolvimento sustentável do país.
Durante o discurso de abertura, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança …
Entre os temas abordados com maior firmeza, destacou-se o combate à sinistralidade rodoviária, classificada como o “parente podre” da Polícia. Os números apresentados são preocupantes: entre janeiro e setembro de 2025, registaram-se 488 acidentes de viação, que resultaram em 662 mortes e 466 feridos graves , um aumento face ao mesmo período de 2024, em que se contabilizaram 459 acidentes, 555 mortes e 413 feridos graves.
A taxa crescente de mortalidade nas estradas é considerada “grave, criminosa e hedionda”, sobretudo porque, segundo dados oficiais, já ultrapassa em quase três vezes as mortes hospitalares causadas pela malária no mesmo período. As causas mais apontadas continuam a ser o comportamento negligente, irresponsável e imprudente dos condutores.

Chamado à responsabilidade: tolerância zero à corrupção e mais ação contra sinistralidade
Durante o seu discurso no 35º Conselho Coordenador do Ministério do Interior, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique lançou um apelo contundente à acção imediata e eficaz no combate à sinistralidade rodoviária. “Companheiros, do que é que estão à espera para tomarem medidas correctivas para pararem com os acidentes de viação?”, questionou, exigindo medidas práticas, coordenadas com o sector dos Transportes e Logística, com foco na prevenção e educação, e não apenas em sanções.
O líder máximo da defesa e segurança foi igualmente incisivo ao denunciar práticas de corrupção dentro da corporação, exigindo a sua eliminação. Entre os comportamentos condenados, destacou:
O fascínio ilícito de agentes em pertencerem à Polícia de Trânsito e à Polícia de Fronteira, motivado por oportunidades de enriquecimento ilegal;
A prática de subornos (“envelopes”) para garantir escalas em operações lucrativas como controlo de velocidade e álcool;
O chamado “xitiqui de 5 mil meticais”, símbolo da corrupção na via pública;
No encerramento, o Comandante-Chefe reiterou a exigência de excelência: “O trabalho foi bom, mas o nosso padrão é o muito bom e o excelente.” Apelou ainda à construção de uma “Nova Era na República de Moçambique”, marcada pela segurança, pelo respeito à lei e pelo fim de vícios institucionais.
“O povo quer mais, e nós exigimos mais. Porque sabemos que há competência, experiência e inteligência suficientes dentro do Ministério do Interior para fazer melhor.”
