Matutuíne (O Destaque) — Numa manhã marcada por um forte simbolismo histórico e social, o Povoado de Chiacanimisse, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, acolheu o lançamento de uma nova etapa do Projecto Nacional de Terra Infraestruturada. O Presidente Daniel Chapo entregou mais de três mil parcelas de terra prontas para habitação, comércio e serviços, reafirmando que a missão desta geração é consolidar a independência económica através da organização do solo.
Diferente dos assentamentos informais, os talhões hoje entregues foram previamente demarcados em zonas seguras e contam com acesso a vias de comunicação, água potável, saneamento e energia eléctrica. O plano director da zona prevê ainda reservas para a construção de escolas, postos de saúde, esquadras policiais e áreas de lazer.
“Onde muitos vêem apenas parcelas de terra, nós vemos comunidades emergentes; onde muitos vêem bairros, nós vemos economias locais dinâmicas”, afirmou Daniel Chapo, destacando que este projecto visa inverter a lógica do crescimento desordenado das cidades.
O Presidente iniciou o seu discurso com uma palavra de dor e conforto para as famílias afectadas pelas recentes cheias e pela passagem do Ciclone Gezani. Chapo garantiu que o Estado continuará presente na reconstrução das vidas e infraestruturas, apelando à resiliência e à construção de casas em zonas altas e seguras para evitar novas tragédias.
Num gesto de reconhecimento histórico, o Governo alocou talhões a antigos jogadores da Selecção Nacional de Futebol e membros da equipa técnica que qualificaram Moçambique para o CAN de 1996. Ídolos como Tico-Tico, João Chissano, Tomás Inguane e Riquito receberam em mãos os seus títulos de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT).
A juventude moçambicana foi apontada como a principal beneficiária deste ciclo de governação. Chapo explicou que os jovens poderão concorrer aos terrenos através de plataformas digitais e terão o apoio técnico de arquitectos e engenheiros do Fundo de Fomento de Habitação para a construção assistida das suas casas.
Contudo, o Chefe de Estado deixou um aviso sério e directo: “Por favor, jovens, aqueles que vão concorrer e ter terrenos, não vendam”. O objectivo é que a terra sirva de base para a criação de património e estabilidade familiar, e não para o lucro imediato que compromete o amanhã.
Com a experiência de Matutuíne, que se segue ao sucesso do projecto-piloto em Vilankulo, o Governo pretende replicar este modelo por todo o país. Para Daniel Chapo, organizar a terra é uma decisão estratégica para proteger vidas e garantir que Moçambique cresça com ordem e prosperidade.
