Maputo (O Destaque) – Num acto carregado de simbolismo histórico e projecção futura, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, recebeu esta terça-feira as Chaves da Cidade do Porto, numa cerimónia que serviu para celebrar os laços seculares entre os dois povos e, sobretudo, para lançar as sementes de uma cooperação municipal prática e promissora.
Perante uma plateia que incluía o Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, e altas individualidades de ambos os países, o Chefe de Estado moçambicano agradeceu a “honra distinta”, sublinhando que o gesto “transcende a minha pessoa” e reforça a “ponte de amizade” que há muito une Moçambique e Portugal.
Contudo, para além do reconhecimento do passado, o discurso de Sua Excelência Daniel Chapo foi marcadamente voltado para o futuro. O Presidente delineou as prioridades do seu Governo consolidação da paz, estabilidade e desenvolvimento socioeconómico e destacou o papel fundamental das parcerias descentralizadas. “É neste quadro que olhamos para o Porto como uma cidade que extraordinária e potencialmente tem sido uma grande referência”, afirmou, identificando no potencial económico, social e cultural da cidade invicta uma fonte de benefícios concretos para Moçambique.
O momento mais significativo do seu pronunciamento foi o anúncio público da intenção de estabelecer uma geminação entre a cidade do Porto e uma cidade moçambicana. “Consideramos promissora a possibilidade de, num futuro próximo, avançarmos para uma parceria de geminação”, declarou Chapo, sugerindo que as cidades portuárias ou universitárias de Moçambique seriam candidatas naturais, dada a partilha de características similares.
Esta proposta concreta vem materializar a “irmandade” frequentemente invocada nos fóruns lusófonos, transportando-a para um plano de acção local e tangível. O Presidente enquadrou esta vontade na mobilidade crescente entre os dois países, agradecendo especificamente o “acolhimento fraterno” que as autoridades e os munícipes do Porto têm dado à comunidade moçambicana ali residente.
A cerimónia de entrega das chaves inseriu-se no âmbito da Sexta Cimeira Bilateral Moçambique-Portugal, que decorre no Porto. Chapo expressou confiança de que o encontro produzirá “decisões robustas” para aprofundar os laços bilaterais, beneficiando, sobretudo, o bem-estar dos povos. O Chefe de Estado moçambicano manifestou também elevadas expectativas para o Fórum de Negócios que se segue, vendo-o como uma oportunidade para fortalecer as “relações humanas”, o “verdadeiro alicerce” da amizade entre as nações.
Na sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal do Porto acolheu calorosamente a delegação moçambicana e concordou com a necessidade de dar substância prática aos laços lusófonos. Criticou uma lusofonia por vezes reduzida a “proclamações políticas vazias e estéreis” e defendeu que é preciso “materializar todo o potencial” histórico e cultural em cooperação económica efectiva.
Destacando o momento propício com Moçambique a celebrar 50 anos de independência e Portugal com “estabilidade política” , o autarca portuense apresentou a relação como uma parceria win-win estratégica. Para Portugal, Moçambique é um “mercado em crescimento” e uma sociedade jovem; para Moçambique, Portugal pode ser porta de entrada na Europa e fonte de investimento. A atribuição das Chaves da Cidade a Chapo foi, assim, apresentada como um símbolo da “vontade de revigorar o chão comum” do passado e do futuro.
A cerimónia, que uniu protocolo diplomático e visão estratégica, deixou claro que, mais do que abrir as portas da cidade, o Porto e Moçambique pretendem agora construir, em conjunto, novos caminhos de fraternidade e desenvolvimento mútuo. O convite à geminação, lançado do mais alto nível, fica agora como a tarefa concreta a ser desenvolvida pelos municípios, prometendo traduzir em acção a história partilhada.
