Maputo (O Destaque) -Uma operação policial contra o tráfico de drogas no bairro Carrupeia, em Nampula, está a ser ofuscada por graves acusações de corrupção. Residentes locais denunciam que agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) no posto policial do Centro Hípico da Cavalaria estariam a libertar detidos em troca de subornos, minando a confiança da comunidade na força de segurança, pior ainda num contexto do mês das celebrações dos 50 anos da polícia.
A operação, realizada na quarta-feira, 21 de maio, resultou na detenção de 14 indivíduos ligados à venda e consumo de drogas numa residência na zona da Cavalaria. Contudo, fontes locais, que preferem o anonimato para evitar represálias, afirmam que três dos detidos foram libertados na quinta-feira após o pagamento de valores significativos: 5 mil meticais pela alegada distribuidora de drogas e 2 mil meticais por cada um dos dois consumidores. Os restantes onze detidos permanecem sob custódia, com as famílias a alegarem incapacidade de pagar os valores exigidos.
Um morador do bairro Carrupeia expressou a sua frustração, declarando: “A polícia está a transformar-se num mercado. É preocupante ver que a liberdade depende apenas do dinheiro que se tem no bolso.” Esta indignação é partilhada por muitos na comunidade, que exigem a responsabilização dos agentes envolvidos e uma maior fiscalização das acções policiais.
O Auto de Notícia n.º 01/PPCAVALARIA3ESQ/PRM/NPL025, que detalha a operação, foi conduzido por agentes da 3.ª Esquadra, incluindo Leontina Nicurupale, Francisco Cubarula, Telmilde e António. A visibilidade deste documento reacende o debate sobre a transparência e integridade nas operações policiais.
A PRM Nega Acusações e Promete Investigação Em resposta às acusações, a porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Rosa Chauque, refutou veementemente as alegações de cobranças ilícitas. “Essas informações são infundadas. Não tivemos qualquer registo de cobranças,” garantiu Chauque, acrescentando que a polícia está a investigar o caso e que, se irregularidades forem confirmadas, os envolvidos serão responsabilizados criminalmente.
Chauque confirmou o desmantelamento de uma “boca de fumo” e a detenção das 14 pessoas, destacando que a operação visa desmantelar outros pontos de venda e consumo de drogas que têm causado insegurança na área. A porta-voz apelou à população para continuar a colaborar com a polícia, fazendo denúncias que permitam desmantelar outros locais de tráfico. “Queremos apelar a toda a população para que continue a colaborar com a polícia no sentido de fazer denúncias, para que outras bocas de fumo sejam desmanteladas,” concluiu.
A situação levanta questões cruciais sobre a conduta policial e a necessidade de reforçar os mecanismos de controlo e supervisão para garantir que as operações de combate ao crime não sejam comprometidas por actos de corrupção. A comunidade aguarda com expectativa os resultados da investigação da PRM e as medidas que serão tomadas para restaurar a confiança pública.
