Maputo (O Destaque) – A visita surpresa do deputado Ivandro Massingue, do partido PODEMOS, ao Centro de Saúde do Zimpeto na manhã de segunda-feira gerou debate intenso sobre os limites e formas da fiscalização parlamentar aos serviços públicos. O episódio, que envolveu momentos de tensão entre o deputado e alguns profissionais de saúde, continua a gerar reacções distintas entre autoridades e figuras políticas.
Para a directora da Saúde na Cidade de Maputo, Paloma Tatiana, a acção do deputado foi “desrespeitosa” tanto para a classe médica como para os pacientes que se encontravam no local. Segundo afirmou à imprensa, a postura adoptada por Massingue comprometeu o ambiente de trabalho numa unidade sensível como é um centro de saúde.
No entanto, o ex-deputado da Assembleia da República António Muchanga entende que a actuação do parlamentar foi legítima e não violou protocolos. “Ele não entrou em salas restritas como de partos, consultas ou recolha de amostras clínicas. Limitou-se à área comum onde os doentes e acompanhantes aguardam atendimento”, argumentou.
Muchanga foi mais longe, acusando o segurança do centro de ter provocado o conflito. “Foi o funcionário que, nas imagens, obstruiu primeiro o acesso dos deputados e ameaçou fisicamente. Confundiu o hospital público com a casa da sua tia ou avó materna”, disparou.
A polémica reacendeu também discussões sobre o direito de os deputados realizarem visitas de fiscalização mesmo durante o período de férias parlamentares. “Sim, é possível, desde que estejam disponíveis. Eu mesmo, em Janeiro de anos anteriores, estive em missão investigativa sobre drogas em Macúzi e Quelimane durante 16 dias”, partilhou Muchanga.
