Maputo (O Destaque) — A recente ofensiva conjunta entre os Estados Unidos e Israel no Médio Oriente, que culminou com a morte de um líder do irão e agravou a tensão geopolítica, está a provocar fortes reacções no meio académico e jurídico.
O analista e jurista Roberto Alelua considera que os acontecimentos representam uma violação clara das normas internacionais e podem desencadear consequências globais severas, incluindo impactos directos na economia mundial.
“Ferem com o Direito Internacional, ou seja, constituem flagrantes atropelos às normas do Direito Público Internacional.”
Segundo Alelua, um dos pilares fundamentais que norteiam as relações entre os Estados é o princípio do respeito pela soberania nacional. Ele recorda que a Organização das Nações Unidas, através da sua Carta, consagra o pacto de não agressão como base para a convivência pacífica entre os países.
“Um dos principais princípios que norteiam as relações internacionais é o do respeito à soberania de cada Estado. Por isso é que a Carta das Nações Unidas prevê o pacto de não agressão.”
O jurista sublinha ainda que tanto os Estados Unidos como Israel são signatários desses instrumentos jurídicos internacionais, o que, na sua leitura, torna a situação ainda mais sensível sob o ponto de vista legal.
Hegemonia e disputa geopolítica
Para Roberto Alelua, o conflito vai além da retórica militar e insere-se numa disputa estratégica de poder.
“Nestas lutas estão em jogo poderes hegemónicos. Os Estados Unidos querem consagrar-se ainda mais em termos geopolíticos e aproveitam-se das fragilidades do Médio Oriente para que o sistema internacional fique, mais uma vez, sob sua influência e com Estados subordinados.”
A análise aponta para um cenário de reconfiguração das forças globais, onde interesses estratégicos e energéticos desempenham papel determinante.
Impacto no custo de vida
O especialista alerta que as consequências não se limitarão ao campo diplomático ou militar.
A tensão crescente no Médio Oriente, região estratégica na produção mundial de petróleo, poderá provocar um efeito dominó na economia global.
“Com a tensão no Médio Oriente, o custo de vida no mundo vai agravar-se. Tudo gira em torno do preço do petróleo. Os próximos dias poderão ser os piores.”
Num apelo directo à população moçambicana, Alelua aconselha prudência.
“Aconselho aos meus irmãos moçambicanos a ficarem cautelosos e bem calmos.”
Com os mercados internacionais atentos e o preço do crude sob pressão, o mundo observa com apreensão os próximos passos das potências envolvidas, num momento em que qualquer escalada poderá redesenhar o equilíbrio global e afectar directamente países economicamente dependentes de importações energéticas, como Moçambique.
