Entre a trégua de Trump e a guerra de Israel: O Irão na mira de dois discursos

Maputo (O Destaque com Agências Internacionais) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu nesta quarta-feira (11) ao vaticinar que a ofensiva militar contra o Irão poderá estar em vias de cessar. “Assim que eu pretender que isto pare, parará”, declarou o republicano, com o tom de quem assume a missão como cumprida. Segundo Trump, “praticamente já não restam alvos” na nação persa.

Contudo, esta declaração não colhe eco do outro lado do oceano. Em Telavive, o Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, fez questão de se demarcar do posicionamento norte-americano. Assegurou que a operação conjunta prossegue “sem limites temporais”, até que todos os objectivos traçados sejam plenamente atingidos. Confrontamo-nos com um cenário de dissonância entre aliados, num momento em que o Irão endurece a retórica e promete resistência. Do lado iraniano, a postura é de manifesto desafio.

A Guarda Revolucionária alertou para a eventualidade de uma “guerra de desgaste de longa duração” e confirmou a realização de novos ataques, nesta quarta-feira (11), contra um navio com bandeira da Libéria e um cargueiro tailandês, ambos no estratégico Estreito de Ormuz. A mensagem é inequívoca: a República Islâmica não verga. Entretanto, a sucessão na liderança religiosa ganha contornos de instabilidade com a ascensão do novo aiatolá filho de Ali Khamenei, ao mesmo passo que se multiplicam as ameaças de aniquilação das capacidades militares e económicas dos EUA.

Ali Fadavi, assessor da Guarda Revolucionária, lançou um sério aviso aos americanos e israelitas: caso a guerra se prolongue, o colapso económico global poderá ser inevitável. Malgrado os ataques iranianos terem perdido algum fulgor em comparação com o início das hostilidades, a verdade é que o perigo de uma escalada regional permanece latente. No xadrez de Trump, pesam as eleições de meio de mandato, a instabilidade económica e as sondagens desfavoráveis. No lado israelita, impera a determinação de quem não admite recuos. E, no epicentro, o Irão joga as suas cartadas, entre o fumo da guerra e o peso das palavras. Para já, o que se testemunha são dois discursos distintos para um mesmo palco de conflito.

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