Escândalo no centro de saúde dos pecasdores: estudantes denunciam cobrança de 2 mil meticais para passar em exame nacional

Maputo (O Destaque) –O Centro de Saúde dos Pescadores, localizado no bairro da Costa do Sol, está no centro de uma grave polémica, marcada por denúncias de alegada corrupção e sabotagem nos exames nacionais de saúde. As acusações envolvem uma enfermeira e o alegado prejuízo no aproveitamento de estudantes em estágio.

O jornal O Destaque deslocou-se ao local e confrontou a direcção do centro, bem como os intervenientes, tendo apurado relatos de cobranças indevidas e acusações de boicote a exames.

As denúncias recebidas indicavam que uma enfermeira estaria a dificultar o processo de avaliação, comprometendo o desempenho de algumas estudantes. Em contacto com a direcção do hospital, esta mostrou-se “em choque” com as informações e confirmou a existência de uma queixa por parte de uma estudante alegando sabotagem.

Na sequência, O Destaque organizou um encontro entre a directora do hospital, a enfermeira visada, Júlia, a estudante queixosa, Cecília Cumbane, e a examinadora Maria Amélia, também acusada de envolvimento no alegado boicote

A estudante Cecília Cumbane relatou ao O Destaque a sua experiência durante o estágio e o processo de avaliação no Centro de Saúde dos Pecadores. Segundo disse, apesar de ter tido um estágio positivo, enfrentou dificuldades logísticas e sentiu-se prejudicada na avaliação prática.

O meu estágio foi bom. Quando cheguei, expliquei que tinha problemas de transporte. A doutora Júlia disse que informasse a instituição, mas nunca tive resposta”, explicou.

Em relação à avaliação, Cecília apontou disparidades: “Lá na instituição anterior fizeram-me seis questões; cá, apenas quatro. Depois, a doutora Júlia disse que eu teria de repetir a prática porque não me saí bem. Eu aceitei, mas senti que a culpa não foi minha, fui examinada tarde. No dia do exame nacional, e me disseram que no dia do exame tens de lutar para ter boa nota.”

 Sobre o exame nacional, a estudante acrescentou: “Tinha que fazer uma avaliação. Eles apagaram onde não estava bom. Fui repassar o diário e disseram que me fariam cinco questões. Respondi bem a quatro, mas falhei uma. A doutora Maria Amélia disse que faltava um ID e passou para a enfermeira Júlia.”

No fim, Cecília recebeu uma nota que considerou injusta: “Quando me entregaram o exame, vi 10 valores. Disse que não estava satisfeita. Responderam que voltasse na segunda-feira para repetir, mas eu disse que só viria na terça, porque não tenho dinheiro para o transporte.”

Acusação de cobrança mancha exame de estudante

O ponto mais sensível das denúncias feitas por Cecília Cumbane está relacionado com uma alegada cobrança ilícita de 2000 meticais, que, segundo a estudante, seria exigida pela enfermeira Júlia como condição para garantir aprovação no exame.

Cecília acredita que o seu insucesso foi intencional: 

O que aconteceu na sala do exame eu percebi. Respondi corretamente. Os colegas que não dominam a matéria procuram os docentes para pagar. O meu exame foi sabotado porque não paguei. Uma das colegas disse que a enfermeira Júlia queria 2000 meticais.”

Questionada sobre se teria pago o valor, respondeu:  “Se tivesse dinheiro, daria à pessoa que estava a recolher.”

Enfermeira nega envolvimento e fala em rumores

Em resposta às acusações, a enfermeira Júlia negou categoricamente qualquer envolvimento com cobranças ou sabotagem: 

Nesse vosso grupo da turma, eu estou lá. Mostrem agora as provas. Afinal, são só rumores. Não é verdade. É muito normal estudante chumbar.” 

Afirmou ainda que a própria estudante estaria por trás da denúncia: 

“Chegámos à conclusão de que foi ela quem denunciou.”

Outras estudantes refutam denúncias

O Destaque contactou outras estudantes da mesma turma, que apresentaram versões diferentes da de Cecília. 

“Eu nunca fui cobrada por nada”, afirmou uma. 

“Passei por mérito, não me pediram nenhum dinheiro”, disse outra colega.

Repetição do exame com condições

Apesar de manifestar disponibilidade para repetir o exame, Cecília Cumbane impôs uma condição: 

“Eu posso repetir, mas não quero que seja a doutora Júlia nem a Maria.”

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