Maputo (O Destaque) – A circulação rodoviária encontrava-se interrompida nas primeiras horas do dia de hoje desde a ponte da Salamanga, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, em resultado de uma manifestação levada a cabo por residentes locais. A acção surge na sequência da morte de um jovem, ocorrida há mais de duas semanas, cuja responsabilidade é atribuída, por algumas fontes locais, a fiscais do Parque Nacional de Maputo.
Segundo relatos recolhidos no local, a população decidiu bloquear a estrada depois de não se ter realizado uma reunião previamente anunciada entre a comunidade e representantes do Parque Nacional de Maputo. O encontro tinha como objectivo esclarecer as circunstâncias da morte de um cidadão de Salamanga, identificado por algumas fontes como suposto caçador furtivo, alegadamente abatido por fiscais da área de conservação, no interior da sua residência.
O bloqueio mantéve dezenas, e possivelmente centenas, de viaturas paralisadas, provocando longas filas e constrangimentos significativos à circulação. Os manifestantes afirmam que a estrada só será reaberta com a presença do chefe da localidade segundo nossas fontes que relataram o cenário visto in-loco.
No local, foi também observada a presença de um pequeno grupo de jovens com comportamento considerado agressivo, que estaria a intimidar automobilistas exigindo a eliminação de fotografias e vídeos da manifestação. Testemunhas referem que estes indivíduos aparentavam estar sob efeito de álcool, tendo em conta a forma insultuosa e desrespeitosa como abordavam as pessoas.
Para além do caso da morte do jovem, a comunidade manifesta preocupação com a recorrente circulação de animais selvagens fora dos limites do parque. De acordo com os residentes, esta situação tem resultado na destruição de machambas e em prejuízos significativos para a subsistência das famílias locais.
O Destaque tentou, nas últimas duas semanas, obter esclarecimentos junto da equipa de comunicação do Parque Nacional de Maputo, sem sucesso. Esta semana, novas tentativas foram feitas, tendo sido apenas possível ouvir: “vou organizar informações e partilho, mas até agora só sei dizer que é um crime organizado”. Noutra ocasião, foi dito: “estou reunido e volto a ligar”, o que não veio a acontecer até ao momento.
Entretanto, uma testemunha afirmou que terá sido acionada a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que, segundo o seu relato, efectuou disparos contra a população. A mesma fonte acrescentou:
“balearam pessoas, até crianças, conheço três pessoas baleadas, disseram que haviaria reunião para esclarecer o que aconteceu, e depois a reunião foi adiada, e as pessoas perguntam como é que adiaram a reunião e não comunicam e fecharam a estrada, pediram dirigentes para explicar, disseram isto não faz sentido, depois accionaram polícia da UIR, eles quando chegam não perguntam nada, só estávam a balear pessoas, a população depois foi incendiar na sede da localidade, porque o chefe da localidade foi ele que chamou os homens da UIR”.
