Maputo (O Destaque) — A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) voltaram a apertar as mãos, mas, desta vez, o gesto ocorreu na penumbra. Sem direito a fotografias, conferências de imprensa ou a pompa que habitualmente carimba estas ocasiões, o acordo que delega a organização do Moçambola à LMF por mais duas temporadas (2025/26 e 2026/27) foi assinado longe do escrutínio público e mediático.
Um cenário, no mínimo, insólito. Após o conturbado desfecho da última temporada em que o campeonato claudicou e a polémica dominou a narrativa os entusiastas da modalidade esperavam esclarecimentos, não mistério. Contudo, foi precisamente o oposto que se verificou: os presidentes Feizal Sidat (FMF) e Alberto Simango Júnior (LMF) ratificaram o documento à revelia dos holofotes.
O público apenas tomou conhecimento do entendimento através de um comunicado lacónico, divulgado na tarde desta segunda-feira (09) nas redes sociais, num tom quase casual. O documento oficial esgrime termos como “compromisso institucional”, “fortalecimento do futebol profissional” e “sustentabilidade”.
Se o entendimento visa o bem comum, por que razão foi selado no anonimato? Nos bastidores, os ecos sugerem que a relação entre ambas as instituições permanece tensa.
A edição anterior do Moçambola deixou cicatrizes profundas: partidas por realizar, protestos formais de clubes e a credibilidade junto dos patrocinadores em xeque. Agora, com o edifício em risco de ruína, FMF e LMF chegam a um consenso, mas fazem-no de costas voltadas para a transparência. A realidade nua e crua é que o futebol moçambicano continua refém de acordos de gabinete. E o adepto, peça fundamental desta engrenagem, permanece à espera de um campeonato digno desse nome: com bola no pé, transparência absoluta e, acima de tudo, com os holofotes finalmente acesos.
