Governador de Nampula, garante que Forças Armadas abateram grande número de terroristas

 Nampula (O Destaque) –O distrito de Memba, na província de Nampula, voltou a ser palco de ataques armados atribuídos a grupos terroristas, resultando em vítimas mortais e no deslocamento forçado de milhares de cidadãos. Apesar de avanços relatados pelas autoridades militares, a situação humanitária e de segurança continua a levantar sérias questões sobre a eficácia da prevenção e proteção estatal.

O governador da província, Mariamo Abdula, confirmou na segunda-feira que um número não especificado de insurgentes foi abatido pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), no âmbito das operações em curso na região. “As perseguições continuam de forma intensa, com o objetivo de garantir que, nos próximos tempos, toda a circunscrição geográfica esteja livre e segura das ações dos terroristas”, declarou.

Contudo, o anúncio do “regresso à calma” contrasta com o impacto real no terreno. Estima-se que mais de 80 mil famílias já tenham abandonado as suas zonas de origem, procurando refúgio em distritos como Eráti e Nacaroa. A ausência de dados claros sobre o número de vítimas e a extensão da destruição torna difícil medir o verdadeiro custo da instabilidade.

A resposta governamental, embora activa em termos militares, continua a pecar pela lentidão no apoio humanitário e na comunicação transparente com a população. A falta de um plano robusto de prevenção e resiliência comunitária deixa espaço para o avanço dos extremistas, mesmo fora da tradicional zona de conflito em Cabo Delgado.

O caso de Memba é um alerta claro: o terrorismo em Moçambique está a expandir a sua presença e não será com operações reativas que se restabelecerá a confiança das populações. Mais do que abater insurgentes, o desafio está em proteger vidas, restaurar a dignidade dos deslocados e atacar as causas profundas que alimentam a insegurança.

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