Maputo (O Destaque) — O Governo decidiu finalmente “dar a cara” perante a crise que paralisa o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO).
Após semanas de um silêncio que alimentou a indignação de milhares de cidadãos, o Conselho de Ministros aproveitou a sua 4.ª Sessão Ordinária, realizada esta terça-feira em Maputo, para admitir que a instituição atravessa problemas profundos. O anúncio oficial marca uma viragem na postura do Executivo, que até agora assistia passivamente à onda de contestações sobre a incapacidade do instituto em emitir cartas de condução.
A situação no INATRO tornou-se insustentável, com utentes a acumular guias temporárias e suspeitas de falhas administrativas a manchar a imagem da instituição. Segundo Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, uma inspecção rigorosa foi levada a cabo e o diagnóstico é claro: existem “falhas administrativas graves” no coração da instituição.
Estas irregularidades seriam o verdadeiro travão no sistema de produção, bloqueando a entrega de documentos essenciais para a circulação rodoviária no país.
Apesar da gravidade do cenário traçado, o Governo opta por uma postura optimista quanto ao futuro imediato. O Executivo assegura que o problema tem os dias contados e prometeu uma resolução definitiva até ao final do mês de Março.
Contudo, nesta fase de “limpeza”, o Governo preferiu não apontar nomes nem detalhar processos de responsabilização individual, focando o discurso na normalização dos serviços e na recuperação da confiança dos moçambicanos.
Para muitos condutores que vivem na incerteza, a promessa de Março é vista com cautela. O INATRO é um pilar estratégico para o controlo rodoviário e a sua paralisia expôs fragilidades que o Governo agora tenta corrigir à pressa.
