Maputo (O Destaque com Agências Internacionais) — O governo do Irão voltou a afirmar, em meio a um dos períodos mais tensos da geopolítica recente, que não pretende desenvolver armas nucleares, contrariando acusações persistentes dos Estados Unidos e de Israel.
Em declarações divulgadas nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, garantiu que o programa nuclear do país mantém fins exclusivamente civis, mesmo após mudanças na liderança suprema.
Segundo o diplomata, a posição histórica contra armas de destruição em massa remonta a uma decisão religiosa do antigo líder supremo, Ali Khamenei, que havia proibido tais armamentos através de uma fatwa. No entanto, o novo líder, Mojtaba Khamenei, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema, deixando incertezas no ar.
Num dos pontos mais sensíveis da crise, o chanceler iraniano defendeu a criação de um novo acordo regional para o controlo do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O Irão chegou a fechar a rota estratégica durante o conflito, afirmando que não permitiria a passagem de petróleo para países considerados inimigos. A medida elevou o risco de uma crise energética global e colocou em alerta várias economias dependentes da região.
Enquanto isso, os Estados Unidos tentam formar uma coligação naval para proteger o tráfego marítimo, mas aliados da OTAN mostram resistência em se envolver directamente em novas operações militares contra Teerão.
Araqchi também respondeu às críticas sobre ataques iranianos que atingiram áreas urbanas, alegando que forças norte-americanas estariam posicionadas próximas de zonas civis.
Apesar de reconhecer impactos em países vizinhos, o Irão atribui a responsabilidade total aos Estados Unidos, acusando-os de terem iniciado o conflito no final de fevereiro.
O cenário permanece volátil, com o risco de escalada regional ainda elevado e sem sinais claros de um acordo de paz duradouro. avança a CNN Brasil.
