Manica (O Destaque) — A liberdade de imprensa em Moçambique enfrenta um momento de tensão crítica na província de Manica. O Sindicato Nacional de Jornalistas tomou uma posição pública firme após o atentado criminoso contra Carlitos Cadangue, jornalista da STV. A organização não exclui a possibilidade de boicotar a cobertura de eventos oficiais do Governo caso as autoridades não apresentem resultados claros e transparentes sobre quem tentou silenciar o profissional de comunicação.
O sindicato defende que a investigação deve ser independente e livre de pressões, especialmente porque o ataque aconteceu num contexto muito específico. O jornalista Carlitos Cadangue tem-se destacado por reportagens que denunciam esquemas na exploração mineira na região, um sector que movimenta grandes somas de dinheiro e envolve pessoas com considerável influência política e económica. Para os representantes da classe, o atentado parece ser uma tentativa directa de travar estas investigações que colocam em risco negócios obscuros.
A ameaça de não cobrir as actividades governamentais é uma medida extrema que reflecte o cansaço dos jornalistas perante o clima de insegurança. O sindicato sublinha que não se pode permitir que Moçambique viva sob um regime onde a violência substitui o debate público e a transparência.
Ao exigir que não haja interferência dos chamados “poderosos” no trabalho da Polícia, os jornalistas procuram garantir que o crime não fique impune, como tem acontecido em casos anteriores de agressões a profissionais da comunicação social.
Esta crise em Manica junta-se a um histórico recente de preocupação com os direitos humanos no país, onde jornalistas e activistas relatam frequentemente ameaças e perseguições. A decisão do sindicato coloca agora o Governo e as autoridades de investigação sob os holofotes, uma vez que a ausência de uma resposta eficiente poderá resultar num isolamento mediático das actividades oficiais na província, prejudicando o fluxo de informação para o público moçambicano.
