Moradores de Lupilichi, no Niassa, assistem à riqueza do ouro com lupa e continuam a viver uma vida “miserável”

Niassa (O Destaque) — Em Lupilichi, no distrito do Lago, o ouro não é lenda, é realidade. As pedras preciosas são extraídas do solo por empresas estrangeiras que ali operam com intensidade. No entanto, para os habitantes desta terra rica em minerais, a prosperidade continua a ser uma promessa distante.

A localidade vive num paradoxo: sob os pés, jaz uma das maiores reservas de ouro da província; na superfície, a vida é marcada por dificuldades que parecem não ter fim. O acesso a Lupilichi é feito por estradas em estado precário, tornando cada viagem uma prova de resistência. Uma simples deslocação de motorizada pode custar até seis mil meticais,um valor que poucos conseguem pagar.

Fora do centro da localidade, a realidade é ainda mais dura. Apenas a sede tem cobertura de rede móvel, o que obriga os residentes a recorrerem a intermediários para qualquer operação digital. Na saúde, a situação não é melhor: a unidade sanitária conta com apenas um enfermeiro, responsável por atender uma população dispersa e carente de cuidados médicos básicos.

Temos ouro, mas não temos escola suficiente, não temos hospital, nem estradas. Tudo está difícil”, lamenta um morador local, refletindo o sentimento de abandono que paira sobre a comunidade.

Apesar dos recursos que saem diariamente da terra, os benefícios sociais permanecem invisíveis. A ausência de investimentos visíveis nas infraestruturas e nos serviços públicos levanta questões sobre a redistribuição da riqueza mineral.

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