Nyusi diz que chefiou missão na guiné e tudo estava bem até haver agitação

Maputo(O Destaque)-O ex-Presidente de Moçambique e chefe da Missão de Observação da União Africana (UA) às eleições na Guiné-Bissau, Filipe Nyusi, mantém uma visão optimista do processo eleitoral, classificando-o como “pacificas” até à abrupta interrupção provocada pelo golpe militar.

Nyusi revelou que a missão da UA chegou ao país em 19 de junho e acompanhou de perto todas as etapas da votação, garantindo que tudo decorreu de forma pacífica, transparente e ordeira, com participação activa em todas as sete regiões do país, inclusive na capital, Bissau. “O dia da votação foi livre, os eleitores exerceram seu direito sem impedimentos e as mesas funcionaram ao ar livre, permitindo total visibilidade do processo”, declarou.

No entanto, a situação mudou radicalmente com a divulgação preliminar dos resultados eleitorais. “Enquanto discutíamos com um dos candidatos, surgiram relatos de tiroteios na capital, próximo à Comissão Nacional de Eleições e à zona presidencial”, explicou Nyusi. A missão tentou aceder aos locais, mas foi impedida pelas forças de segurança já no controlo da área.

Pouco depois, o processo eleitoral foi suspenso sem justificativas claras, seguindo-se um clima de tensão com recolher obrigatório e fechamento das fronteiras. Nyusi destaca que, apesar das dificuldades, a missão da UA permaneceu no terreno para garantir a presença internacional até à total clarificação dos factos, enquanto outras delegações abandonaram o país.

A missão da UA, em conjunto com CEDEAO e Fórum dos Anciãos, emitiu uma declaração lamentando a situação e apelando ao restabelecimento do processo eleitoral. Nyusi responsabiliza directamente o golpe militar pela interrupção e pelo caos político, mantendo a esperança de que o diálogo e a vontade do povo guineense possam restabelecer a ordem.

O relatório final da missão já foi enviado à União Africana, que deverá definir os próximos passos para garantir a estabilidade e o respeito ao processo democrático na Guiné-Bissau.

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