Maputo (O Destaque) — Durante as celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos, o ex-Presidente da República, Filipe Nyusi, partilhou a sua visão sobre a capacidade de resiliência que Moçambique consolidou nos últimos anos.
Numa entrevista concedida na Praça dos Heróis, Nyusi recordou como o país se preparou para enfrentar crises como a pandemia da COVID-19 até aos cíclicos eventos climáticos.
O ex-estadista sublinhou que a resistência moçambicana não é fruto do acaso. Segundo Nyusi, o país soube antecipar as crises climáticas através de um mapeamento rigoroso.
“Sabíamos que ia haver inundações”, afirmou, destacando que o INGD se preparou com antecedência para esperar o desastre nos locais já identificados.
Para Nyusi, a capacidade do Governo que chefiou em mobilizar apoios externos foi surpreendente e constitui uma experiência valiosa que Moçambique pode agora “transmitir a outros países”.
Filipe Nyusi defendeu a necessidade de diversificar a partilha de vivências históricas. Para o antigo Presidente, é essencial capitalizar o que de bom foi feito, independentemente das cores políticas.
Sugestivamente, Nyusi propôs que se convidem figuras da oposição para partilharem as suas experiências com os jovens.
“Não para disseminar o que é mau, mas para capitalizar o que é bom”, explicou, reforçando que este diálogo aberto pode ser mais educativo para as novas gerações.
Olhando para o presente e para o futuro, o ex-Presidente destacou a importância crítica da retoma dos investimentos da TotalEnergies na província de Cabo Delgado.
Nyusi afirmou que a presença da multinacional em Afungi é um ganho directo para a economia, notando que os indicadores disparam logo que a esperança é restaurada.
“Já está a haver um fluxo de movimento tendente a ir para Afungi”, observou, referindo-se à dinâmica que se sente mesmo a partir da cidade de Maputo.
Ao fechar as suas declarações, Nyusi lembrou que a estabilidade é um processo demorado. Recordou os encontros do seu tempo de governação, onde os parceiros reconheciam melhorias, mas exigiam sempre mais.
Para o antigo governante, o foco do país não deve ser apenas o retorno dos projectos, mas sim a criação de condições para que esse progresso seja permanente.
“O importante agora é criarmos a sustentabilidade para que esse movimento se mantenha para sempre”, concluiu.
