​ “O Brasil está de volta”. Lula da Silva anuncia fim da “amizade sonâmbula” e garante financiamento em várias áreas

Maputo (O Destaque) – O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou esta segunda-feira, em Maputo, que a sua visita oficial a Moçambique marca um “recomeço” histórico nas relações bilaterais, prometendo o regresso do financiamento brasileiro para grandes obras de infraestrutura e um forte apoio na agricultura e saúde.

Num discurso marcado por simbolismo e pragmatismo, ao lado do homólogo moçambicano, Lula recorreu a uma metáfora do escritor moçambicano Mia Couto para descrever o passado recente entre os dois países: «A nossa amizade vagou muito tempo sonâmbula». O estadista brasileiro admitiu que, após um período de grande aproximação há 20 anos, o Brasil “caiu num sono profundo” e “se perdeu por caminhos sombrios”, esquecendo-se dos laços com a África.

«É hora de recobrar a consciência», afirmou Lula, garantindo que «o Brasil está de volta e quer colaborar com Moçambique em todas as áreas».

Um dos pontos centrais da intervenção de Lula foi a economia e a infraestrutura. O Presidente brasileiro reconheceu que o crescimento de Moçambique depende de estradas, portos e linhas de transmissão, e assumiu o compromisso de recuperar a capacidade de crédito do Brasil para exportação de serviços.

«Nenhum grande país consegue exportar serviços sem oferecer opções de crédito. Estamos a trabalhar para o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDS), de modo a recuperar a capacidade de financiar a internacionalização das empresas brasileiras», assegurou, classificando o actual fluxo comercial entre os dois países lusófonos como “injustificável”.

Na área social, Lula da Silva anunciou a intenção de retomar a produção de fármacos e medicamentos em território moçambicano, aproveitando o fortalecimento do complexo industrial de saúde do Brasil. No sector agrário, a promessa é de trazer tecnologia para ampliar a produtividade da savana africana “sem comprometer o meio ambiente”. Com efeito, foram anunciados programas concretos de formação para 2026: 80 vagas para formação de formadores em ciências agrárias e 400 vagas para cursos técnicos em agropecuária para moçambicanos.

O Presidente do Brasil tocou ainda em pontos sensíveis como a segurança, colocando a Polícia Federal brasileira à disposição para partilhar experiência no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, visando “estrangular as fontes de financiamento” de redes criminosas.

No plano ambiental, e no contexto da futura COP30, Lula propôs uma parceria na proteção de biomas (como a Floresta de Miombo) e na transição energética, especificamente na produção de biocombustíveis.

Ao encerrar a sua intervenção, Lula da Silva deixou uma mensagem directa ao povo e ao Governo moçambicano: «Não temos tempo de ficar a reclamar o que não aconteceu até agora. A minha visita é o recomeço de uma história que nunca deveria ter parado de acontecer».

Refira-se que, durante o encontro com Chapo, os dois governos assinaram nove acordos de cooperação que abrangem áreas desde a educação e diplomacia até à aviação civil e serviços agroflorestais.

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