“Pirataria política?”: Yaqub Sibindy acusa governo de apropriar-se da ideia do banco de desenvolvimento

Maputo (O Destaque) ­­ — Depois de o Governo anunciar a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), a decisão já começou a provocar ondas no xadrez político nacional. O Destaque ouviu Yaqub Sibindy, líder do Partido Independente de Moçambique (PIMO), que reagiu com duras críticas, acusando o Executivo de se apropriar de uma ideia antiga do seu partido.

Sibindy sustenta que o conceito do banco não é novo e faz parte da agenda política do PIMO há vários anos, sob a designação de Banco de Desenvolvimento da Família (BDF).

O BDM é o BDF. O Banco de Desenvolvimento da Família foi fundado pelo PIMO. Este projecto não começou agora. É um projecto antigo e fez parte do pilar da minha candidatura”, afirmou.

Segundo o político, o PIMO sempre defendeu um modelo económico assente na inclusão das famílias moçambicanas como accionistas directas da riqueza nacional, incluindo recursos minerais.

Formámos uma sociedade de negócios popular, onde os cidadãos, em nome da família, seriam accionistas. O sistema do BDF nasce dessa visão de independência económica, um Governo sem ideias próprias

O líder do PIMO foi mais longe, acusando o partido no poder de não ter capacidade de inovação e de recorrer sistematicamente a ideias alheias.

Quando o grupo de gestão do Estado devia oferecer soluções científicas para servir o país, passa a vida a roubar ideias que não idealizou. Isso chama-se pirataria política.”

Sibindy questiona o facto de o Governo apresentar o BDM como uma nova iniciativa sem reconhecer, segundo ele, a base conceptual anteriormente defendida pelo seu partido.

Por que mudar o nome para BDM e não reconhecer que é um pensamento de raiz do PIMO? Se a governação é inclusiva, por que não assumir a origem das ideias?

Inclusão ou Estratégia Política?

O político também levantou dúvidas sobre a recente Lei de Inclusão Nacional, perguntando se o objectivo é realmente integrar contributos diversos ou apenas reaproveitar propostas da oposição.

A inclusão tem que ser activa e imediata. O país precisa de soluções agora para as vítimas das cheias, para as zonas de risco, para a economia real. Não é preciso dois anos de consultas para agir.”

Sibindy defende que o desenvolvimento deve ser pensado “cidadão por cidadão” e afirma que o PIMO sempre apresentou propostas concretas de governação, para além de críticas ao Executivo.

Governo Ainda Não Reagiu

Até ao momento, o Governo não se pronunciou sobre as acusações. A criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique foi apresentada como um instrumento estratégico para impulsionar o crescimento económico, financiar projectos estruturantes e promover a inclusão financeira.

Entretanto, a polémica está lançada. Entre reivindicações de paternidade política e acusações de plágio ideológico, o nascimento do BDM surge já envolto.

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