Gaza (O Destaque) – O solo árido e, simultaneamente, fértil do distrito de Guijá serviu de palco, este 06 de Abril de 2026, para uma afirmação categórica de resiliência nacional. Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República de Moçambique, dirigiu-se a uma plateia composta por governantes, parceiros de cooperação, líderes comunitários e religiosos, e, fundamentalmente, pelos produtores locais, para assinalar a passagem da fase de emergência para a fase de reconstrução e produção activa, no rescaldo das devastadoras cheias e inundações que fustigaram o País desde Janeiro do corrente ano.
Com um discurso estruturado e imbuído de um profundo sentido de Estado, o Presidente Chapo não se limitou a apresentar números de assistência, mas delineou uma visão estratégica para o futuro de Moçambique, onde a agricultura assume o papel central na materialização da tão almejada independência económica.
Relembrando os momentos críticos em que o foco do Governo e das instituições como o INGD (Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres) era, imperativamente, salvar vidas e prover assistência alimentar imediata o “dar o peixe”, Daniel Chapo sublinhou a viragem estratégica. “À medida em que as cheias e inundações vão passando, nós decidimos passar para esta fase, de entregarmos o anzol ao nosso povo para juntos, pescarmos, que é produzir e alimentar Moçambique,” declarou o Chefe de Estado, sob aplausos.
Esta transição simboliza a recusa do País em render-se à fatalidade das calamidades naturais, exacerbadas pelas mudanças climáticas, que deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade palpável e desafiadora. O Presidente saudou a coragem do povo moçambicano, que “transforma dor em resistência e dificuldades em coragem colectiva.”
O Chefe de Estado apresentou dados contundentes sobre o impacto da presente campanha agrária 2025/2026, considerada uma das mais exigentes dos últimos anos. Cerca de 441 mil hectares de culturas foram afectados, com prejuízos directos em culturas estratégicas como o milho e o arroz. Mais de 428 mil animais perderam pasto e o sector da pesca registou perdas significativas. No total, aproximadamente 335 mil famílias viram a sua base produtiva fragilizada.
Perante este cenário, a resposta do Governo foi firme e coordenada. A cerimónia em Guijá marcou a disponibilização de cerca de 181 mil kits de produção agrícola, incluindo sementes melhoradas de milho, arroz, feijões e hortícolas, fertilizantes e instrumentos de trabalho. Uma parte significativa deste apoio é gerida através do sistema e-Voucher, garantindo maior transparência, eficiência e autonomia aos produtores. Paralelamente, foram anunciadas campanhas massivas de vacinação pecuária e o reforço da aquacultura com a entrega de alevinos e ração.
Com mais de 80% da população moçambicana a depender da agricultura, Daniel Chapo reafirmou que este sector continua a ser a base da economia e o alicerce da soberania nacional. O objectivo estratégico do Governo é claro: reduzir a dependência externa, fortalecer a economia nacional e avançar para a Independência Económica. “O nosso objectivo como Governo é produzirmos cada vez mais milho, produzirmos cada vez mais arroz, produzirmos cada vez mais feijões, produzirmos cada vez mais hortícolas, reduzirmos a dependência externa na importação de alimentos e virarmos um país de importador para um país exportador,” enfatizou.
O Presidente dirigiu um apelo directo e pragmático ao sector privado, sublinhando que o futuro económico de Moçambique se constrói no campo, nas cadeias de valor agrícolas e na industrialização. Instou os empresários a assumirem um compromisso concreto com o País, investindo em inovação e trabalhando em parceria com o Estado e os produtores. “Este é um momento que exige mais do que solidariedade. Exige responsabilidade colectiva como um povo. Exige organização e trabalho,” asseverou.
O Chefe de Estado concluiu a sua intervenção com uma nota de esperança e determinação, garantindo que nenhuma família afectada será deixada para trás. O acto em Guijá, embora simbólico, representa a presença do Estado e a força da solidariedade nacional. Daniel Chapo reiterou o compromisso do Governo em investir em tecnologias agrárias adaptadas ao clima, na reabilitação de sistemas de irrigação e na construção de infraestruturas resilientes, para que o País não apenas reconstrua o que foi perdido, mas construa um futuro mais forte e próspero.
“Moçambique não será definido pelas adversidades que enfrenta, mas pela forma como decide enfrentá-las e seguir em frente,” declarou o Presidente
