Maputo (O Destaque) — O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu esta quarta-feira, na Presidência da República em Maputo, membros da Associação Geração “8 de Março”, num encontro marcado por elogios à juventude que, logo após a independência, abandonou projectos pessoais para ajudar a construir o Estado moçambicano.
A ocasião assinalou mais um aniversário da organização que reúne jovens que responderam, em 1977, ao apelo histórico lançado pelo primeiro Presidente de Moçambique, Samora Moisés Machel, para apoiar o país num momento em que enfrentava uma profunda escassez de quadros qualificados.
Durante a intervenção, Chapo recordou que a chamada geração “8 de Março” surgiu num contexto extremamente desafiante, quando o país recém-independente enfrentava a saída massiva de técnicos e especialistas para o estrangeiro. Segundo o Chefe de Estado, estes jovens foram chamados a ocupar funções estratégicas no aparelho do Estado, desde a educação e saúde até à agricultura e outros sectores fundamentais.
O Presidente destacou que muitos desses jovens interromperam estudos e ambições pessoais para responder ao apelo patriótico de servir a nação. Para Chapo, o gesto representa um dos momentos mais simbólicos da história nacional, pois demonstrou o compromisso da juventude com a construção do novo Estado moçambicano.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado sublinhou que a geração “8 de Março” desempenhou um papel crucial no combate ao analfabetismo, que na altura atingia cerca de 90% da população. Muitos desses jovens foram mobilizados para trabalhar nas escolas e em projectos de desenvolvimento comunitário, ajudando a expandir o acesso à educação em todo o país.
Além disso, recordou que a geração foi mobilizada num período de grande instabilidade regional, marcado por tensões com regimes da África Austral da época, incluindo o governo da então Rodésia de Ian Smith e o regime do apartheid na África do Sul.
Chapo afirmou que o movimento simboliza um exemplo de unidade nacional e espírito revolucionário, valores defendidos por Samora Machel, que via na educação um instrumento essencial para consolidar a base política, ideológica e social do novo Estado.
Para o Presidente, a geração “8 de Março” representa uma ponte histórica entre os combatentes que iniciaram a luta armada pela independência em 1964, conhecidos como a geração de 25 de Setembro, e a juventude actual que hoje enfrenta novos desafios de desenvolvimento.
O Chefe de Estado aproveitou ainda a ocasião para apelar à juventude moçambicana a inspirar-se no espírito patriótico desta geração, defendendo que o desenvolvimento do país depende do trabalho produtivo e do compromisso colectivo com o progresso nacional.
