Presidente do fórum Moçambique-Israel diz que operação no Irão já devia ter ocorrido há muito tempo

Maputo (O Destaque) ​— A recente operação militar conjunta entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão está a transformar o cenário geopolítico e económico mundial. Em entrevista exclusiva ao Jornal Destaque, Alberto Rui Chiculuveta, presidente do Fórum Moçambique–Israel, analisou a situação de forma contundente, defendendo que a intervenção militar não é apenas positiva, mas peca por ser tardia.

Segundo o responsável, a tensão que se vive hoje é o resultado de anos de hostilidades acumuladas, afirmando que “a operação já devia ter acontecido há décadas. Desde a chegada dos aiatolás ao poder, em 1979, o regime iraniano promove a destruição de Israel”.

O impacto deste conflito já se faz sentir no quotidiano global, com o preço do petróleo a atingir os 80 dólares por barril e o cancelamento de voos em rotas estratégicas. Chiculuveta explicou que o nervosismo dos mercados se deve, em grande parte, à ameaça sobre o Estreito de Ormuz, um ponto vital por onde passa quase um terço do petróleo mundial. Para o presidente do Fórum, o Irão tem mantido uma postura de confronto indirecto há muito tempo através do apoio a diversos grupos armados na região.

Sobre esta estratégia de Teerão, Chiculuveta foi directo ao declarar que, “tecnicamente, o Irão já estava em guerra com Israel há mais de 30 anos, ainda que de forma indirecta”.

A análise de Chiculuveta estendeu-se também à situação interna do Irão, que enfrenta uma grave crise económica com a desvalorização acentuada da sua moeda nacional.

De acordo com os dados apresentados, a fragilidade do regime é evidente, o que poderá ser agravado pela actual pressão militar. Quando questionado sobre a força de Israel, o entrevistado recordou o historial bélico do país para afastar qualquer ideia de que o exército israelita pudesse ser subestimado, sublinhando que “Israel sempre impôs respeito no Médio Oriente. Basta lembrar a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando derrotou vários países árabes em apenas seis dias”, afirma.

No que diz respeito à posição de Moçambique, Alberto Rui Chiculuveta considera que o governo moçambicano está a agir correctamente ao manter-se neutro perante o conflito.

O entrevistado defende que o foco de África deve estar na resolução dos seus próprios problemas internos, como o terrorismo em Cabo Delgado ou as crises no Sudão e na Nigéria, em vez de se desgastar em disputas de grandes potências. “Nunca é bom meter-se nos problemas alheios, principalmente quando são grandes potências em confronto. Se até aliados do Irão, como a Rússia e a China, mantém discrição, por que razão Moçambique deveria envolver-se?”, questionou o presidente do Fórum Moçambique–Israel, concluindo que a margem de manobra da comunidade internacional para impor uma solução é, neste momento, muito reduzida.

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