“Sofrimento silencioso: jovem de 21 anos abandona bebé em Nampula em crise pós-parto”

Nampula (O Destaque) –Um caso que comoveu e alarmou os moradores do bairro Muhala-Expansão, na cidade de Nampula, culminou com a entrega, esta semana, de um recém-nascido à sua família legítima, após intervenção do Hospital Central de Nampula (HCN). O incidente expôs fragilidades no apoio psicossocial e reacendeu o debate sobre a saúde mental materna.

A situação ocorreu quando uma jovem de 21 anos, alegadamente após uma gravidez mantida em sigilo, terá dado à luz sozinha em casa. Em estado de pânico, a jovem abandonou o bebé no portão exterior do quintal da residência, ausentando-se do local e expondo a criança a perigo.

O desfecho trágico foi evitado pela intervenção rápida de uma família vizinha, que encontrou o recém-nascido e o encaminhou de imediato para o HCN. No hospital, a criança recebeu cuidados especializados na Neonatologia, enquanto a suposta mãe foi assistida pela Obstetrícia. Ambos apresentaram estado clínico estável.

Família reclama custódia e surgem preocupações com saúde mental

Posteriormente, familiares da jovem, incluindo a avó materna da criança, compareceram ao HCN para reclamar a custódia do bebé. Os familiares apresentaram documentação considerada suficiente para comprovar o vínculo familiar e relataram que a jovem tem exibido comportamentos atípicos, levantando sérias questões sobre a sua saúde mental.

A equipa de Psicologia do hospital já está a acompanhar a jovem, que afirmou não ter tido consciência da gravidez e entrado em pânico durante o parto. As suas declarações mostraram versões contraditórias sobre o nascimento, reforçando a necessidade de um acompanhamento psicológico contínuo e especializado.

Entrega à família e acompanhamento social

Após uma avaliação técnica e social realizada pelo serviço social do HCN, o recém-nascido foi formalmente entregue à sua família legítima. As autoridades hospitalares garantiram que serão assegurados a protecção da criança e o seguimento do caso pelas entidades competentes, para garantir o bem-estar de ambos.

Este episódio serve como um alerta para a comunidade sobre a importância da vigilância social, do apoio familiar e da intervenção precoce em situações de vulnerabilidade. Destaca, sobretudo, a necessidade de se desestigmatizar e priorizar a saúde mental, especialmente no período perinatal.

O HCN reafirma, através deste caso, que o maior valor é a vida, e apela para que famílias e comunidades estejam atentas e busquem ajuda junto das instituições de saúde perante sinais de sofrimento psíquico.

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