Tráfico ilegal de gergelim, soja, castanha e outros produtos “sangram” as contas de Moçambique em mais de 15 mil milhões de dólares

Maputo (O Destaque) –Cartéis dedicam-se à evasão fiscal e roubo de produtos devido à fraca fiscalização, uma riqueza que escapa pelos dedos. Moçambique perde anualmente entre 10 e 15 mil milhões de dólares norte-americanos devido à saída ilegal de produtos nacionais e práticas de evasão fiscal, um valor que, segundo as autoridades, ultrapassa metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Cartéis bem organizados estão a beneficiar-se da fraca fiscalização e das fragilidades institucionais para promover a evasão fiscal e o tráfico de recursos nacionais. Produtos como gergelim, soja, castanha, feijão bóer, ouro e pedras preciosas são sistematicamente desviados das rotas formais e atravessam as fronteiras para países vizinhos, onde são reexportados como se fossem originários dessas nações.

A denúncia foi feita pelo Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, que, em entrevista à AIM, revelou que muitos destes produtos nem chegam a ser registados como exportações moçambicanas. “Os nossos produtos passam para os países do lado e eles exportam como se fossem produtos feitos lá”, afirmou.

Além do contrabando físico, Grispos alertou para um segundo nível do problema: empresas que falsificam dados de exportação e desviam os fluxos financeiros, impedindo a entrada das receitas no sistema financeiro nacional.

Com perdas anuais que representam quase a totalidade do orçamento do Estado para 2025, o governante foi taxativo: “Nós não somos um país pobre, somos um país empobrecido.”

A gravidade da situação exige reformas profundas nos sistemas de controlo, maior coordenação regional e responsabilização firme para cortar o fluxo ilícito de riqueza que, todos os anos, escapa do país sem deixar rasto.

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