Maputo (O Destaque) — Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, declarou oficialmente aberta a Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital com um discurso que combinou mensagens de solidariedade às vítimas das recentes cheias e um apelo firme à modernização tecnológicau do Estado moçambicano.
Logo no início da intervenção, o Chefe do Estado reconheceu o impacto humano e material dos desastres naturais que atingiram várias regiões do país. “Aos compatriotas que enfrentam este fenómeno, neste momento de dor e incerteza, reafirmamos que não estão sozinhos”, afirmou, sublinhando que o Governo continua mobilizado para prestar assistência e reconstruir infraestruturas destruídas.
Chapo agradeceu ainda o apoio nacional e internacional que tem chegado às comunidades afetadas, destacando o papel dos cidadãos, organizações da sociedade civil, líderes religiosos e parceiros externos. “Quando estamos unidos, somos mais fortes”, declarou, frisando que a solidariedade tem ajudado a aliviar o sofrimento de muitas famílias moçambicanas.
Durante o discurso, o Presidente defendeu que a digitalização pode ser uma ferramenta essencial para reduzir riscos em situações de calamidade.
“Os sistemas de alerta precoce e as plataformas digitais podem fazer a diferença entre a tragédia e a proteção das nossas comunidades”, disse, apontando a inovação tecnológica como parte das soluções para salvar vidas.
Ao dirigir-se aos participantes da conferência, o estadista sublinhou que a transformação digital deve traduzir-se em benefícios concretos para os cidadãos. “A tecnologia só cumpre o seu propósito quando melhora a vida das pessoas, quando reduz distâncias e democratiza oportunidades”, afirmou.
Chapo destacou ainda que o desenvolvimento nacional não depende apenas de infraestruturas físicas. “Os países transformam-se também com infraestruturas invisíveis, aquelas que ligam pessoas ao conhecimento e ao Estado. Essas infraestruturas são hoje digitais”, referiu.
Reforma do Estado e novos desafios
No plano governativo, o Presidente considerou a transformação digital um dos pilares do atual ciclo político e recordou a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital como um passo histórico.
Contudo, deixou um aviso às instituições públicas: “Não haverá Estado digital se persistirem mentalidades analógicas”.
Criticando a falta de integração entre sistemas públicos, Chapo afirmou que “não devem existir ilhas tecnológicas dentro do nosso Estado”, defendendo maior interoperabilidade para evitar duplicação de serviços e reduzir burocracias que dificultam o acesso dos cidadãos.
Entre as iniciativas destacadas estão a criação da Agência de Modernização e Inovação, a revisão da legislação um sobre cibersegurança e proteção de dados e o desenvolvimento do Portal do Cidadão. Segundo o Presidente, o objetivo é permitir que documentos como bilhete de identidade, carta de condução ou pagamentos de taxas possam ser tratados a partir do telemóvel.
“Queremos um Estado à distância de um clique, mas próximo das necessidades do nosso povo”, declarou.
Soberania digital e futuro económico
Na parte final da intervenção, Chapo afirmou que a digitalização representa uma nova fronteira de soberania nacional. “Ontem, a independência media-se pelo controlo do território. Hoje mede-se também pela capacidade de governar o espaço digital”, disse, defendendo que a tecnologia pode atrair investimento, gerar empregos qualificados e fortalecer a economia.
O Presidente anunciou ainda a criação de uma Comissão Técnica Multissetorial dos Serviços Digitais, que deverá apresentar até ao fim do primeiro semestre um plano nacional de integração dos serviços públicos.
