Maputo (O Destaque) – A província de Maputo registou o seu primeiro caso de varíola dos macacos, ou Mpox, marcando uma nova e preocupante fase na propagação da doença em Moçambique.
A notícia confirmada pelo Ministério da Saúde (MISAU) no seu boletim de sábado, eleva para 23 o número cumulativo de casos no país. Este desenvolvimento acende um novo sinal de alerta, indicando que a doença está a expandir-se para além das regiões inicialmente mais afectadas.
Desde 11 de Julho até 1 de Agosto, Moçambique já contabiliza um total de 167 casos suspeitos de Mpox, com um aumento de 20 novas suspeitas nas últimas 24 horas. Dos 23 casos confirmados, 21 ainda estão activos, enquanto dois pacientes já recuperaram, trazendo um pequeno alívio no meio da crescente preocupação.
Apesar da chegada da Mpox a Maputo, a província do Niassa, no norte do país, continua a ser a mais afectada, com 22 dos 23 casos confirmados. No entanto, o surgimento de um caso na capital provincial de Maputo é um marco preocupante, pois sugere que a doença está a encontrar novas rotas de transmissão e a alcançar áreas mais populosas.
Um dos principais sintomas da Mpox é o aparecimento de borbulhas na pele, que podem ser confundidas com outras condições dermatológicas, dificultando a detecção precoce. Perante este cenário, as autoridades de saúde reforçam as medidas preventivas essenciais para conter a propagação do vírus.
As recomendações incluem a lavagem frequente das mãos, o uso de máscara em locais públicos e, evitar o contacto físico próximo com pessoas que apresentem sintomas suspeitos, como tosse, espirro ou as características borbulhas na pele.
“É fundamental que a população continue vigilante e siga rigorosamente as orientações do Ministério da Saúde”, alertou a Dr.ª Sara Langa, epidemiologista e especialista em saúde pública.
“A detecção precoce e o isolamento dos casos são as nossas maiores armas para travar a cadeia de transmissão e evitar um surto maior na província de Maputo e noutras regiões”.
A preocupação também se estende à forma como a população percebe a doença e a necessidade de desmistificar informações falsas.
“O medo e a desinformação podem ser tão perigosos quanto o próprio vírus. É preciso que as pessoas procurem informações em fontes fidedignas e não se deixem levar por rumores”, frisou João Manhiça, activista comunitário na província de Maputo.
“Precisamos de solidariedade e de responsabilidade individual para proteger a nossa comunidade.”
As autoridades sanitárias apelam para maior prevenção para que não haja proliferação de casos.
