Nampula (O Destaque) -Uma reviravolta digna de novela policial: os cinco agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) suspeitos de ter protagonizado o audacioso roubo de 56 quilogramas de ouro em Mogovolas estão de volta às ruas, de uniforme, como se nada tivesse acontecido
O caso, que envolve também outros 100 kg de minerais preciosos, tornou-se um dos maiores escândalos de sempre na capital do Norte, Nampula. Detidos apenas 48 horas após o crime graças a uma operação multissetorial, os polícias beneficiaram de liberdade provisória e, com base na lei, regressaram aos seus postos de trabalho. Mas a decisão, embora tecnicamente legal, está a ser vista pela população como um atentado à credibilidade da polícia.
Quando questionada sobre a indignação popular, a administradora do distrito fechou-se em copas: “Marquem outro dia, o meu chefe já falou e eu não devo falar.”
Já o comando provincial da PRM em Nampula mantém-se em silêncio absoluto sobre qualquer medida disciplinar, e silêncio só aumenta a desconfiança da população local.
O jurista Alberto Langa lançou um alerta duro: “Apesar de a reintegração ser legal, a polícia precisa de agir com urgência. Sem medidas internas claras, a percepção é de impunidade total e isso mina a confiança nas instituições.”
Enquanto o processo judicial segue “pelos seus devidos trâmites legais”, a grande questão ecoa em Mogovolas e em todo o país:
Como confiar numa polícia que é acusada de roubar o ouro que deveria proteger e sai impune? Numa altura em que as cadeias cíveis estão cheias de ladrões de pato? Enquanto isso, quem é acuso de roubar uma quantidade de ouro, usa farda e passeia pelas principais ruas da cidade a pedir e BI e refresco. Não seria de se admirar, na verdade, este é o verdadeiro país do pandza, nosso Moçambique.
