Moçambique e Portugal abrem nova etapa com crédito histórico de 500 milhões

Maputo (O Destaque) –Os governos de Moçambique e de Portugal decidiram dar um salto na sua cooperação histórica. No Fórum Económico entre os dois países, realizado no Porto, foi anunciada uma nova linha de crédito de 500 milhões de euros para financiar investimentos portugueses em Moçambique e acelerar o desenvolvimento mútuo.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e o Primeiro-ministro português, Luís Montenegro, definiram na terça-feira (09) o reforço da parceria como uma prioridade estratégica. Ambos sublinharam a relação especial baseada na língua comum e nos laços empresariais que resistiram ao tempo.

Moçambique está aberto e estável, diz Chapo

Em seu discurso, o Presidente Chapo afirmou que Moçambique vive um novo tempo, marcado pela “estabilidade política, económica e social”. Para atrair negócios, o governo tem feito reformas, como a criação do Gabinete de Reformas, a redução do IVA para 16%, um IRPC de 10% para a agricultura, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países (incluindo Portugal) e a simplificação do registo de empresas.

“Moçambique está a abrir as suas portas”, declarou Chapo, considerando Portugal um “parceiro estratégico e privilegiado”. Ele destacou o papel das empresas portuguesas na construção, energia, banca, retalho e tecnologia, e disse que quer vê-las “na linha da frente” da transformação da economia moçambicana.

As áreas prioritárias para investimento foram claramente listadas: agronegócio, energias renováveis, gás natural, hidroeléctricas (com ampliação de Cahora Bassa e construção de Mphanda Nkuwa), indústria transformadora, logística, turismo, economia azul e economia digital.

Linha de crédito “win-win” e compromisso com segurança

O governante moçambicano agradeceu a linha de crédito de 500 milhões de euros, chamando-a de “win-win” (em que todos ganham). Ele explicou que o instrumento vai gerar emprego e impostos em Moçambique e, ao mesmo tempo, fortalecer a economia portuguesa. A condição para o sucesso, segundo Chapo, será a “seriedade” e “eficiência” no cumprimento das obrigações financeiras.

Chapo também reafirmou o compromisso do seu governo com a segurança, fundamental para os negócios. “O nosso objetivo é acabar com os raptos em Moçambique”, afirmou, enumerando a luta contra o branqueamento de capitais, o tráfico de droga e o terrorismo em Cabo Delgado como prioridades. “A estabilidade é o nosso recurso principal para o desenvolvimento”, concluiu.

Portugal aposta na “confiança” como palavra de ordem

Do lado português, o Primeiro-ministro Luís Montenegro declarou que 2025 marca “o início de um novo ciclo” entre os dois países, que descreveu como “parceiros de sempre, parceiros fiáveis”.

A palavra-chave, para Montenegro, é “confiança”. A nova linha de crédito é, nas suas palavras, “um sinal inequívoco da confiança que nós temos em relação a Moçambique”. Ele elogiou ainda a “coragem” e a “simplicidade” com que o Presidente Chapo assumiu o compromisso de garantir o rigor nos pagamentos, um factor essencial para o futuro do acordo.

Os dois líderes alinharam as suas visões de modernização económica, citando energia, infraestruturas, logística, banca, educação, saúde, turismo, agricultura e digitalização como sectores de cooperação fortalecida. O acordo mostra uma aposta conjunta no potencial de Moçambique como um polo de crescimento e energia regional.

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