Moçambique retoma projecto Mozambique LNG e reafirma confiança dos investidores em Cabo Delgado

Cabo Delegado (O Destaque) — O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou esta quinta-feira, em Palma, a retoma efectiva, total e completa do projecto Mozambique LNG – Golfinho/Atum, Área 1 da Bacia do Rovuma, liderado pela TotalEnergies, marcando um momento histórico para o país após quase quatro anos de suspensão devido à instabilidade de segurança na região.

Falando durante a cerimónia oficial, o Chefe do Estado considerou a retoma como uma vitória da resiliência e determinação do povo moçambicano, sublinhando que o reinício das obras representa mais do que um avanço económico: simboliza a restauração da confiança nacional e internacional em Moçambique como destino seguro para grandes investimentos.

O Presidente destacou os esforços do Governo, em coordenação com parceiros nacionais e internacionais, para o restabelecimento da segurança em Cabo Delgado, incluindo o reforço das Forças de Defesa e Segurança e a cooperação com forças do Ruanda, no quadro do Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA).

Segundo Daniel Chapo, estas medidas criaram condições para a retoma do projecto e para a consolidação progressiva da paz na província.

Durante o seu discurso, o Chefe do Estado fez igualmente referência ao momento difícil que o país atravessa devido às cheias e inundações que afectam várias províncias. Em gesto de solidariedade, anunciou uma doação de 200 milhões de meticais da TotalEnergies para apoiar as populações afectadas nas regiões Sul, Centro e Norte do país, agradecendo publicamente a iniciativa do consórcio liderado pela multinacional francesa.

O projecto Mozambique LNG é um dos maiores empreendimentos de gás natural liquefeito em África, com capacidade prevista de produção anual de cerca de 13,12 milhões de toneladas de GNL ao longo de 25 anos.

Avaliado em aproximadamente 15,4 mil milhões de dólares norte-americanos, o investimento deverá gerar receitas estimadas em 35 mil milhões de dólares para o Estado moçambicano, provenientes de impostos e outros instrumentos fiscais.

Na fase de construção, prevê-se a criação de cerca de 17 mil postos de trabalho, com prioridade para cidadãos moçambicanos, particularmente da província de Cabo Delgado. Actualmente, mais de cinco mil trabalhadores já se encontram no projecto, sendo cerca de 80% nacionais e mais de 40% oriundos da província anfitriã.

Daniel Chapo reafirmou ainda o compromisso do Governo com o reforço do conteúdo local, defendendo a contratação de empresas moçambicanas e a formação da juventude, de modo a garantir a transferência efectiva de tecnologia e a inclusão económica das comunidades locais.

O reassentamento das famílias da Península de Afungi, com habitações modernizadas e infra-estruturas sociais básicas, foi apontado como um modelo a ser replicado noutros projectos de desenvolvimento no país.

No encerramento, o Presidente da República sublinhou que a retoma do Mozambique LNG inaugura uma nova fase para Cabo Delgado e para Moçambique, baseada na estabilidade, crescimento inclusivo e criação de oportunidades, apelando à união, ao diálogo e à manutenção da paz como fundamentos essenciais para o desenvolvimento sustentável do país.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *