Museveni lidera apuramento no Uganda enquanto oposição denuncia irregularidades

Maputo (O Destaque) O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, segue na dianteira da contagem dos votos das eleições presidenciais realizadas na quinta-feira, num processo marcado por falhas técnicas, restrições à internet e fortes críticas da oposição. O principal adversário, Bobi Wine, encontra-se em prisão domiciliária desde o dia seguinte ao escrutínio.

De acordo com resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral, com cerca de um quarto dos votos contabilizados, Museveni reúne 76,25% das preferências, enquanto Bobi Wine soma 19,85%. Museveni, no poder desde 1986, procura prolongar um dos mandatos mais longos do continente africano.

O processo eleitoral decorreu num ambiente tenso. As autoridades determinaram o bloqueio da internet em todo o país, deixando a televisão pública como principal fonte de informação para milhões de cidadãos. A medida foi amplamente criticada por organizações da sociedade civil e pela oposição, que a consideram um factor de limitação da transparência eleitoral.

O dia da votação ficou ainda marcado por problemas técnicos, sobretudo falhas nas máquinas biométricas destinadas à identificação dos eleitores. Em várias regiões, os equipamentos não chegaram a tempo ou apresentaram avarias, obrigando a longas esperas e, em alguns casos, à votação manual.

“Chegámos cedo, mas ficámos horas à espera porque as máquinas não estavam disponíveis”, relatou um eleitor, queixando-se também da falta de informação por parte das autoridades eleitorais.

O próprio Presidente Museveni reconheceu dificuldades técnicas ao votar, embora tenha minimizado o impacto. “A máquina não aceitou as impressões digitais, mas reconheceu o rosto. Portanto, está funcional”, declarou.

Já Bobi Wine, que votou sob forte presença policial, denunciou o que considera um processo eleitoral pouco transparente. “Estamos a realizar eleições na escuridão. A internet foi desligada para permitir a manipulação”, afirmou, acrescentando que as falhas nas máquinas biométricas comprometem a credibilidade do escrutínio.

Organizações internacionais acompanharam o processo com preocupação. A ONU descreveu o ambiente eleitoral como marcado por repressão e intimidação, enquanto a Amnistia Internacional reportou a detenção de centenas de apoiantes da oposição durante a campanha.

O Uganda entra agora numa fase decisiva, com a continuação da contagem dos votos e um clima político sensível. Num país onde mais de 70% da população tem menos de 30 anos, muitos jovens veem estas eleições como um momento crucial para definir o futuro político, social e económico da nação.

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